setembro 20, 2009

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Dezesseis horas, décimo terceiro dia do mês de agosto, uma sexta-feira, do ano do Senhor de 2009, todos no fórum, Seo Clemente a vítima e Zezão do Bonde o meliante. Sem citar, é claro, todo o entourage de cada um dos dois.

Anuncia então o meirinho que o Excelentíssimo Senhor Juíz de Direito Senhor Evisvaldo Saldanha adentra o recinto. "Todos de pé.". Ao que todos de pé se postam.

Costumeiro blá blá blá jurídico ........ 20 minutos depois ......

"Então Senhor Clemente, o senhor processa o réu por estelionato, correto?" pergunta o juiz (como se ele não já soubesse a resposta dessa e das próximas perguntas que ele fará).
"Sim, Vossa Excelência, esse fí-duma-égua.."

"Senhor Clemente, devo advertí-lo que o senhor não deve se dirigir ao fi-duma.... quero dizer, ao réu, dessa forma!"
"Me perdoe Excelência."
"Merítissimo, por favor."
"Me perdoe Meretríssimo!"
"É ME-RE-TÍS .... deixa pra lá. Continue, por favor."
"Perfeito Excelência, esse aí tem que ir pro xilindró. Ele me vendeu por cinco mir Reais um bilhete de loteria premiado, que valeria dois mião. Mas o bilhete não tava premiado coisa nenhuma."
"Entendo Senhor Clemente ... Mas me diga uma coisa, por que o senhor comprou o bilhete?"
"Uai, por que? Qualquer pessoa minimamente inteligente sabe que um bilhete premiado em dois mião deve valer, pelo menos, uns cinquenta mir Reais. Cinco mir era uma barganha boa demais!"
'É hoje' pensa consigo mesmo Dr Evisvaldo, ao mesmo tempo em que copia o número do processo para fazer uma fezinha no bicho antes de ir pra casa. '25. Vaca. Ah, quase esqueci do aniversário da Va... ôpa, Vera!'.
"Mas, Senhor Clemente, me esclareça uma coisa. O senhor estava acreditando que estava se dando bem em cima de alguém, correto?"
"Sim Excelência. Mas esse meliante aí me contou uma estória toda complicada de que não tinha como retirar o prêmio, que tinha um filhinho doente no Norte, que precisava correr porque estava atrasado pra pegar um avião, e pra isso precisava do dinheiro."
"Senhor Clemente, aqui em Jacutinga não tem aeroporto!"
"É!?"
"Deixa pra lá Senhor Clemente. Voltando ao que importa. O senhor acreditava então que levava vantagem sobre o Senhor José do Bonde, o que, se não é um crime, é uma falta de vergonha na cara e o motivo do Brasil estar como está."
"Sim. Mas Excelência ..."
"Cale-se que ainda não acabei."
"Me desculpe."
"E, ainda por cima, o senhor é uma besta! Quem em sã consciência venderia um bilhete premiado?"
"Mas Excelência, eu achei que ..."
"Caaaaaaaale-se! Meirinho, por favor, algeme o Senhor Clemente e o leve pra carceragem por crime de burrice e por envergonhar o Brasil. Senhor José do Bonde, o senhor está liberado."
"Mas Meritíssimo, eu não sou o réu, como eu posso ser preso?"
"Bem, Senhor Clemente. Segundo consta o senhor está processando o réu por ele ter tentado se dar bem em cima do senhor, correto?"
"Isso mesmo Excelência!"
"Perfeito. Mas o senhor também reconhece que quis se dar bem em cima dele, correto?"
"Mas ...."
"MAS ele conseguiu e o senhor não! E essa é a única diferença entre vocês. A sessão está encerrada!"

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