dezembro 14, 2009

Um latifúndio improdutivo da escrita cronicista ...

Olá a todos,

Estou me sentindo sob risco de ataque do MST. É que no último mês me tornei um latifúndio (no caso específica latifúndio de gordura e não de terras) improdutivo da escrita cronicista ... Acho que é reflexo de minha volta ao Brasil e de estar ocupado em matar as saudades da velha e boa terra onde aportaram os portugueses em 1500.

Como minha forma de matar as saudades tem se focado em uma atividade extremamente cheia de prazeres de fácil obtenção (Estou mandando ver o garfo, faca, colher e mão mesmo. É pão de queijo, churrasco, pastel de feira, pão na chapa, biscoito de polvilho, pamonha, arroz com feijão, brigadeiro, sushi - oops! pra mim sushi em São Paulo já é comida brasileira - pizza, garapa ....) acho que deixei de lado o prazer de mais difícil obtenção - escrever.

Mas como não quero ver uma horda de bonês vermelhos me atacando e levantando barracas de lona nas minhas terras (o primeiro que perguntar onde vão enfiar o pau da barraca eu mando pra Brasília!), vou mandar um curta hoje.

Decidi que vou falar de uma de minhas maiores frustações na vida.

E apesar de eu ser um cidadão comum, minha frustração não é eu não ser um cientista famoso, nem tão pouco ser uma estrela do Rock, muito menos é eu não ter conseguido nunca ligar pro programa do Bozo ...

É tudo mais simples, é apenas eu nunca ter tido um quarto só meu.

Isso mesmo, nunca! Nunquinha! Nã-nã-nina-nunca! Nie! Mai! Never!

Lá pelos idos de 1974, acontece que nasce um resendense (Isso mesmo, nasci em Resende. Mas não conte pra ninguém, por favor!) e esse pequeno joelho é mandado pra onde? Maternidade, onde divide o quarto com mais uns 27 pequenos joelhinhos ...

Perdida a primeira oportunidade! Mas eu ainda tinha uma esperança.

Sai do hospital e fui para a casa dos meus pais. Chegando lá fui para o quarto que era só meu ... e dos meus pais. Erda! Ficaria eu em um berço ao lado da cama deles. Mas tudo bem, ainda estou vivo, tenho esperanças.

Cresci. Já tava me achando velho para ficar no mesmo quarto que meus pais, e acho que meus pais também achavam isso, pois me colocaram em um quarto só meu!!!!! Alegria?! Não. Minha mãe não estava gorda não, estava é prenha mesmo, e o meu irmão foi dormir onde?

Adivinhem?

Isso mesmo, no MEU quarto novo ... Mais uma chance perdida. Mas a esperança é teimosa, mais teimosa que Sarney, Maluf, Zagalo e Arruda juntos.

Anos se passaram .... passo eu no Vestibular e vou para o interior estudar. 'Vou morar sozinho. Vou ter meu tão sonhado quarto só meu', penso eu. Mas alegria de pobre é como meninos de 17 anos fazendo sexo, dura pouco!

Fui morar numa república e, como a grana era curta, vai lá o desprovido de quarto próprio dividir o espaço com outros seres republicanos (essa coisa de capitalismo e o poder do dinheiro já começava a me deixar puto) ... Mais uma chance perdida. Mas a esperança ainda vive.

Termino a faculdade! Arrumo um emprego de trainee (substantivo masculino da língua inglesa que significa, numa tradução literal, "emprego de merda, com salário de passar fome, morar com os pais, e continuar não tendo um quarto próprio"). Nem preciso continuar, certo?

Daí, de volta para a casa dos meus pais, foi só mais um passo para o casamento... quarto do casal ... cama do casal ...

Bem, já que não tem jeito mesmo, é melhor aproveitar então a companhia na cama ... 45 segundos ... nove meses .... filho ....

Agora que já era mesmo. Uma cama pra três.

E o pior é que os três roncam ....

6 comentários:

  1. Hahahaha, adorei!
    Salvou minha segunda-feira, que estava tão tristinha!
    Valeu!

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  2. Querido...quem ronca???????????? Discutiremos a relação mais tarde...bjs

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  3. Vc tem q ficar feliz, pois deu de presente ao tal irmão citado um quarto SÓ DELE por anos e anos seguidos! hahahahahahahahahahah

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  4. Nossa! Continuando a comer tudo isso, duvido se não te mandam dormir na sala! ahahaha. Muito bom!

    abraços

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  5. Mandou bem, gostei! kkkkkkkkk
    Mas o que percebi é que você é quase um campeão na modalidade "levantamento" de garfo, faca, colher.... isso porque disse que não presta pra nenhum esporte.rss
    Um abraço e se cuida!

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  6. E não é que ele tem algum talento!
    Alexandre, parabéns pela iniciativa e pela qualidade de suas crônicas, leves, suaves e bem humoradas.

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