dezembro 12, 2010

Falácias sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo

Tanto há de importante para nossa sociedade discutir, educação, segurança, os sistemas tributário, jurídico e previdenciário e a indecente má distribuição de renda. Mas não, fica grande parte da sociedade, e dos governos, criando discussões desnecessárias sobre temas que se poderia resolver em poucos minutos.

Um desse temas é a [manutenção da proibição da] união civil entre pessoas do mesmo sexo*.

Que se precisa discutir todas as mudanças sociais, disso eu não discordo. Discordo do foco que é dado à discussão. Todo nós, pessoas inteligentes, sabemos que as sociedades evoluem e que, quase sempre, é perda de tempo discutir coisas que são inevitáveis por serem o próximo passo natural do humanidade (lembremos das discussões quanto à ética de se transplantar partes de pessoas mortas a pessoas vivas, pesquisas com células tronco, divórcio, igualdade racial etc).

Assim, me dói na alma ver certos argumentos que são utilizados por pessoas [supostamente] inteligentes contra a união civil entre homossexuais. Vou então falar de três dessas falácias.

Falácia no 1- Reconhecer a união civil entre homossexuais vai incentivar a homossexualização da sociedade:

Não vou ficar dezoito parágrafos discorrendo sobre algo que pode ser resumido em uma simples pergunta àqueles que suportam a falácia número 1: "Você realmente acha que a proibição da união civil entre homossexuais vai acabar com a homossexualidade?".

Claro que não vai, a homossexualidade é parte do animal humano, gostando você ou não. A única diferença será que os homossexuais continuarão à margem da lei, lei que deveria garantir a todos nós cidadãos os mesmos direitos sempre.

Falácia no 2 - A educação de um filho num lar com dois pais do mesmo sexo não será saudável para a criança:

Não será saudável por que? Por acaso há estatísticas provando que pais homossexuais são piores que pais heterossexuais?

Na minha limitada experiência de vida, já vi casais de pais heterossexuais que não possuem a capacidade de criar um jabuti, quanto mais criar, e educar, uma criança. Pais que sujeitam seus filhos a um futuro negro, pois nunca tiveram a capacidade, ou a vontade e coragem, de incutir em sua prole a capacidade de respeitar ao próximo, de pensar nas consequências de seus atos, de reconhecer limites, de pensar no bem da sociedade como um todo.

Um casal separado pode ser nocivo para a educação de um filho. Ou você nunca ouviu histórias de pais separados que brigam pelo amor do filho, com guerra de presentes caros, com guerra de acusações, tortura psicológica etc?

Um casal casado pode ser nocivo para a educação de um filho. Ou são raros os relatos de pais que batem nas companheiras? De pais que espancam seus filhos? De pais que se embriagam em casa?

Um casal não casado pode ser nocivo para a educação de um filho. Ou você acredita que é simples para uma garota de 15 anos, mãe solteira, pobre, educar a contento um filho?

Um casal homossexual pode ser nocivo para a educação de um filho! Sim, pode. Pode ser nocivo pelos mesmos motivos de um casal heterossexual, pois são todos humanos e sujeitos a erros e decisões ruins.

Ou seja, qualquer pai pode ser nocivo para a criança, depende da capacidade, educação e vontade da pessoa "pai" e não de sua orientação sexual.

Falácia no 3 - Um filho criado por um casal homossexual se tornará também um homossexual

Essa falácia eu nem vou discutir, vou usar a mesma "lógica" da Coca Diet** para mostrar que ela está errada. Se você acredita mesmo nessa falácia, me diga então uma coisa: Quem são os pais dos homossexuais que hoje vivem? São pais heterossexuais, certo? Então, c.q.d. não são pais homossexuais que 'criam' homossexuais, mas sim são os pais heterossexuais que 'criam' filhos homossexuais. Assim, vamos proibir a união civil entre pessoas de sexo diferente!

Bem, você que tem dois neurônios já percebeu que não há relação de causalidade entre o sexo dos pais e dos filhos. Se houvesse, a maioria de nós homens brasileiros seria 'mulherzinha', pois fomos criados por nossas mães e avós e tias. Nossos pais eram os provedores, aqueles que traziam o dinheiro pra casa, assistiam o Jornal Nacional, eram usados como ameaça para os filhos "vou contar pro seu pai", mas que não eram parte 'ativa' de nossa educação diária***.

Essas são apenas três das falácias utilizadas pelos nossos 'moralizadores' (alguns deles até defendem o espancamento dos filhos que estiverem em "más"-companhias - igualando o homossexual a um bandido) de plantão. Mas o que me tranquiliza é saber que o progresso natural das sociedades vai nos fazer superar mais essa barreira e nossos filhos serão melhores que nós nessa área.

Fica aqui a dica de um TED Talk de Tony Porter um ativista contra a violência contra a mulher, muito bom o vídeo.



* Lembre-se que não é "Casamento", pois esse é um sacramento e os homossexuais estão preocupados com sua situação civil e não com sua situação religiosa.

** Pela "lógica" da Coca Diet:: Eu só vejo pessoas gordas bebendo Coca Diet, assim Coca Diet deve engordar!

*** Isso não é uma crítica aos nossos pais. A sociedade era assim, e eles faziam o que deles era esperado.

agosto 21, 2010

Como o cara descobriu isso?

Me causam admiração e me deixam pensativos os desbravadores, os descobridores. Não são apenas corajosos, são sim corajosos demais, sem dizer criativos - alguns diriam apenas doidos sem preocupações com  o futuro ou seu próprio bem estar. Não me importa o nome que demos, são eles admiráveis.

Vá me dizer que você não se admira quando pensa que não é algo trivial derreter areia para fazer vidro, mas alguém um dia o fez. Ou ainda, não vá me dizer que você acha óbvio que alguém acordou uma certa manhã, sem nada pra fazer, e decidiu que iria navegar até o 'fim do mundo' para provar que o mundo não tem fim.

Só que muito disso é ciência e, por mais que eu adore ciência, minha admiração por esses desbravadores e descobridores se dilui pelo fato de que eles não partiram do zero absoluto em suas descobertas e desbravaduras (fora os que em se perdendo vieram aportar em terra brasilis).

Minha real adminiração só se dá mesmo em sua plenitude quando falamos em comida. Sim, comida! Por que não?

Haveria diversos itens que hoje comemos com a maior naturalidade sobre os quais eu poderia escrever. Mas creio que o maior dos descobridores de todos os tempos foi aquele que nos deu a alcachofra como iguaria alimentícia.

Não é possível que você não concorde comigo e não se admire de um ser humanos parar em frente a um botão não desabrochado gigante de flor roxa e pensar - "Cara, isso deve ficar muito bom se eu cozinhar em água e sal, chupar as pontinhas das folhas, arrancar alguns estigmas e mastigar o coração da bichinha, huuuummmmm".


Pare e pense em como isso é improvável. Faminto estaria ele? Chapado com o cogumelo que ele acabara de mandar pra dentro? Ou apenas com uma larica daquelas? I don't know and I don't care, mas admiro-o a ele.


Mas o pior é que esse cara tem tudo para ser meu último grande herói, posto que não há mais muito, se é que pouco há, hoje ainda a ser assim descoberto, ou você acha que alguém vai pegar um Blu-Ray e deixá-lo de molho, cozinhá-lo, assá-lo e descobrí-lo como uma iguaria?

agosto 15, 2010

Controle, um poema fictício da vida real (!?)

Ah, o controle!

Aquele que temos sobre nossas ações
Sobre nossas razões
Aquele que temos sobre nossos peões
No tabuleiro da vida

Controle que queremos ter
Mas o alugamos a outrem
Por merrecas incertas
Por pouco tempo dizemos
Em breve de volta o teremos

E os anos se vão
Inexorável é o tempo
Mas o controle não
Esse eu tenho, não abro mão

A bexiga não mais responde
Ah, os reflexos se vão
Seria o controle ilusão?
Não! Não pode ser

Aquele que inexorável é
Apronta mais uma com a gente
Lá se vai o controle das mãos
Ufa, ainda sobra o da mente

Mente? Hã?
Sobre o que eu escrevia?
Escrevia? Não lembro
Lá se vai o pouco controle que se tinha

Não mais controlamos nossos cérebros
Ou seria o nosso cérebro indisposto
Cansado de perder seu tempo nos controlando? 
Não sei
Ele sabe
Já não mais importa!

O que?

julho 31, 2010

Retrocesso tecnológico nominal

Vejo sempre discussões, artigos, livros e outras coisas mais que discutem como somos uma sociedade tecnológica. Não tenho dúvidas que estamos vivendo em uma sociedade tecnológica, pois estamos tecnologicamente cercados de tecnologias.

Uma das coisas que me faz ter certeza que estamos cercados por tecnologia, e que isso nos transforma, é a incapacidade de muuuuitas pessoas de fazerem simples contas matemáticas sem recorrer a uma calculadora. O que me deixa um pouco triste, principalmente quando vejo jovens que não conseguem calcular 50% de 18 sem uma HP12C.

Contudo, há algo que vai na contramão da evolução tecnológica e continua preso a um passado de trevas. Quase um retorno à idade média. Me assusta ver como podemos nos dizer modernos e progressistas quando a tecnologia é bloqueada pelos métodos antigos.

Tenho vários exemplos que ilustram essa minha opinião, mas vou me limitar a um dos mais escancarados que conheço. O cartório de registro civil.

Há poucos dias fui com um amigo de faculdade (fizemos ciências da computação no IBILCE, mas nos graduamos mesmo em engenharia de alimentos. Bem, pelo menos naquela parte que trata de cerveja e derivados, o que me lembra de um ditado alemão que diz, mais ou menos, "Cinco cervejas se igualam a uma refeição e você ainda nem começou a beber!").

Voltando à questão da tecnologia, estávamos nós dois lá na fila do registro civil (ou 'rezistro', dependendo da região do país de onde você é originário) quando, exatamente após o escrivão registrar o Valdisnei Silva (se você não sabe o motivo de alguém se chamar 'Valdisnei', procure na Disneylândia), somos chamadas àquela mesa moderníssima de cartório. Bem, falando a verdade a única coisa moderna que tinha na mesa era um computador, se bem que era um PC-AT 286!

Meu amigo então, depois das firulas básicas e, em resposta à pergunta 'qual o nome do registrando?', responde "Maria do F1 Fernandez", "com 'z'", complementa meu amigo.

"Como assim F1 meu senhor? Tá ficando maluco?"
"Tô não. Esse é o nome que quero!"
"Mas que coisa é essa de F1, é algo a ver com o Ayrton Senna? O senhor era fã dele?"
"Não, não. Nada disso. É que trabalho com computação e F1 é help, ou seja, 'socorro'. Assim, o nome da minha filhinha linda é Maria do Socorro Fernandez."
"Olhe aqui meu senhor, esses nomes vexatórios estão proibidos. Estou registrando aqui o Maria do Socorro por extenso. Passar bem!"

E ainda nos dizemos modernos e progressistas. Fascistas retrógrados isso sim.

julho 25, 2010

Como assim, não gosta? Todo mundo gosta!

A gente acaba crescendo com algumas verdades absolutas gravadas em nossas cabeças, conscientes, corações, chame como você quiser. O importante é que crescemos acreditando que certas coisas são imutáveis. Infelizmente, ou felizmente - dependendo da escola de psicologia a que você é adepto, pouco a pouco vamos desmascarando algumas dessas verdades absolutas.

Começamos pelas mais básicas, como o papai noel e o coelhinho da páscoa, que talvez também sejam as mais simples.

Passadas as verdades absolutas infantis, chegamos àquelas que são frutos da cultura (se é que pode se chamar estupidez de cultura), como:

- comer manga com leite fazer mal - essa, especificamente, sempre me deixou pensativo. Por que cargas d'água alguém acharia bom comer manga com leite?
- assoviar à noite chamar o Saci-pererê - bem, aqui é uma 'dupla', pois é para acreditar nessa besteira, tem-se que acreditar, primeiramente, na existência de Sacis. O que me parece um absurdo para uma pessoa que já não mais acredita no Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa, mas tem idiota pra tudo;
- deixar o chinelo de cabeça para baixo matar a mãe do dono do chinelo de cabeça para baixo - no comments;
- tomar banho após as refeições dar 'congestã' - essa me foi de muita serventia na minha adolescência rebelde. Como eu era um adolescente do tipo "cagão" (vamos lembrar que era uma época sem a lei da palmada pedagógica, e minha mãe já havia descoberto formas muito mais eficientes de me 'pedagogicar' do que utilizando as palmas das mãos) eu usava o banho depois das refeições para atormentar meus pais. Era muito, mas muito mesmo, irritante pra eles eu sair direto da mesa de jantar para o banho;

Bem, não preciso me alongar muito na lista, pois tenho certeza de que você já lembrou de mais umas duzentas e trinta e sete besteiras do tipo que ilustrei acima. Mas até aí nada demais, acho que todos nós, seres humanos racionais, acabamos deixando essas crendices de lado e voltando à lucidez (por favor, você que realmente acredita no criacionismo, inclua-se fora disso).

O problema é que mesmo depois de velho venho me deparando com a destruição sistemática de minhas crenças. Ainda encontro por aí pessoas que não gostam de carros com câmbio automático, outras que não gostam de ar-condicionado, algumas que não comem comida japonesa. Ou umas das que acho mais difíceis, pessoas que não comem carne vermelha. Vai entender ......

Mas não é sobre essas pequenas coisas que quero falar. Quero mesmo é comentar sobre uma descoberta recente que me chocou. Algo que nunca achei possível ser possível. 

Descobri que há pessoas nesse mundo capazes de não gostar de YAKULT. 

COMO? 
ABSURDO!
VOCÊ É LOUCO?!?!?!?!?!
TODO MUNDO GOSTA DE YAKULT!!!!!!!

Ou assim eu pensava até essa semana ...... Vai ver amanhã eu descubro também que há pessoas que acreditam na vida após a morte. Afinal de contas, depois de descobrir que há pessoas perturbadas o suficiente para não gostarem de Yakult, nada mais me espantaria .....


DISCLAIMER:: Não, eu não ganhei nada da Dona Yakulta, a mãe do Yakult, para fazer esse post (adoraria ter ganho). O fato é que eu realmente gosto de Yakult. Até uso técnicas para parecer que tem mais volume no potinho, como despejá-lo em um copo e colocar gelo (valeu Canado!).


julho 17, 2010

O tempo é inexorável, como já dizia o poeta

Fato isolado número um

Estava eu revisando um material no escritório quando me deparo com um sacrilégio, a palavra idéia escrita sem acento. Como pode tal vilipendiação à língua ser aceita? Passo logo a caneta e comento que a palavra idéia deve ter acento agudo no 'e'.

Volta então o estagiário, um moleque de espinhas na cara, e me explica que, conforme as novas regras da língua portuguesa, a palavra idéia agora se escreve sem acento, ou seja 'ideia', da mesma forma que plateia, alcateia ....

Respondo a ele que 'na minha época' era com acento que se escreviam essas palavras.


Fato isolado número dois

Dirigindo, algo que odeio fazer, estava zapeando pelas estações de rádio e não conseguia achar nada que prestasse. Penso, penso e acabo voltando para a rádio rock, com seus sucessos dos anos 80 e 90. Até que enfim consigo achar música boa.

Chegando ao escritório comento com um dos meus colegas como a música 'em nossa época' era muito melhor que essa musiquinha descartável de hoje.

Fato isolado número três

Sentado numa mesa de almoço, com amigos do primeiro emprego, começamos a contar causos engraçados. Depois de uma hora de almoço um de nós percebe (ou, mais provavelmente, todos perceberam, mas ele foi o único a quebrar o pacto tácito de silêncio e trazer o assunto à pauta) que essas estórias são todas as mesmas do último almoço.


Fato isolado número quatro

Conversando com amigos do trabalho chegamos ao assunto "escola", long story short, fomos nós discutir a nova nomenclatura do ensino brasileiro (série vs. ano, primário vs. ensino básico, colegial vs. ensino médio etc). 


Agora a conexão lógica inexorável dos fatos isolados números um, dois e três (e quatro agora)

Desde que me entendo por gente lembro-me de como eu achava que meu pai era velho.

Não era somente porque ele, ao ser perguntado "Pai, como escreve essa palavra?", por diversas vezes responder "Bem, meu filho, no meu tempo se escrevia assim ....". Não me esqueço de como eu pensava dentro de minha cacholinha 'Caramba, meu pai deve ser velho demais, o português era até outro quando ele estudou'.


Também não era somente por ele viver implicando com as músicas que a gente gostava, como o bom e velho Guns, nunca deixando de enfatizar que no tempo dele é que as músicas eram boas de verdade. E eu, previsivelmente, pensava 'Velho retrógrado'.


Tampouco era somente por ele contar a mesma estória interessante que aconteceu com ele por 427 vezes. Ao que minha resposta sem voz era sempre 'Lá vai ele de novo, deve estar mesmo se encontrando demais com aquele alemão, o Alzheimer'.


Não era por ele ter estudado em um tempo em que se chamava o 'colegial' de 'científico'...

Era sim por conta das união dos quatro fatos que eu achava que ele era velho. E não era por pouco velho que eu o tinha, mas sim por deveras velho. E agora que eu me encontro com os mesmos três sintomas da anciã caduquice de velho? Só duas saídas vejo: a primeira é assumir que eu sempre estive certo e, além de meu pai, agora tem mais um velho no pedaço; a segunda é reconhecer que eu estava errado e somos os dois ainda crianças.

Tendo a preferir a segunda ..... mas acho que vou perguntar pro meu filho ...... ou não!




junho 03, 2010

O instinto de sobrevivência dos germes.

Há poucos dias ouvi os lamentos de uma pessoa que havia, após apenas uma pequeníssima mordida, perdido um doce para a força da gravidade (vale lembrar que apesar de parecer realmente forte, gravidade é uma das forças fracas da natureza).

Sempre que ouvimos estórias assim, logo depois de xingarmos o fi'd'uma-égua do Murphy (já escrevi sobre ele aqui e aqui), pensamos no que nós mesmos faríamos se no lugar da pessoa estivéssemos. Bem, no meu caso a resposta é extremamente simples. Eu cataria o doce do chão e o comeria do mesmo jeito.

"Porco!" Diriam os mais fresquinhos.
"Eca!" Diriam os mais fresquinhos ainda.
"Que nojo Serpa!" Diriam as meninas (fresquinhas por natureza).
"Grandes coisas!" Diriam aqueles, que como eu, entendem muito bem o que quer dizer 'Instinto de sobrevivência'.

"Ãh?" Diriam então os mais perdidos. "Agora você tá louco de vez. Instinto de sobrevivência é exatamente o motivo pelo qual você NÃO come coisas que caíram no chão?"

É muito simples explicar como o seu raciocínio está totalmente incorreto. Comecemos por uma pergunta muito simples 'Qual o motivo de você pensar em não comer o doce que caiu no chão?'. A resposta mais provável é que você não quer comer o doce por conta da sujeira do chão.

Pois bem, o que pode haver de sujeira no chão? Areia, óleo, pó, cocô de cachorro, cuspe e outras 'ecas' relacionadas (pode ir ao banheiro vomitar, fresquinho, o texto vai continuar aqui quando você voltar!).

Fazendo uma análise mais crítica, independentemente de sua origem, o mais problemático de tudo que há na sujeira do chão são os germes, e, como todos nós sabemos, germes são criaturas vivas. Lembrem-se bem do ponto-chave 'germes são criaturas vivas'.

Passemos então ao que quer dizer 'instinto de sobrevivência'. Para não perdermos tempo, significa que um ser vivo fará sempre o possível para assim permanecer (é tipo a primeira lei de Newton aplicada à biologia).

Se a afirmação acima for verdadeira (e é, pode acreditar em mim), o que você acha que os germes que estão lá no chão farão assim que perceberem que um gigantesco doce está prestes a cair em suas cabeças? VÃO FUGIR, é claro.

Pois bem, se os germes fogem, basta que você pegue o doce do chão bem rapidinho. Pois assim os germes não terão tempo de voltar e subir no seu doce, que continuará tão limpo e fresquinho quanto estava antes de você, um frouxo, perder a briga para a gravidade.

Antes que você queira, puerilmente, invalidar meu raciocínio, se apegando ao fato de que há também germes idiotas e lerdos, que não vão perceber a queda do doce, ou não serão rápidos o suficiente para fugir, eu já respondo dizendo que esses germes são irrelevantes, pois os mesmos morrerão e, assim, não serão problema para ninguém. Germes mortos não causam nenhuma doença!



junho 01, 2010

Deixe seu recado depois do "beep", ou não!

Chego no escritório, e ela está lá, piscando, vermelha, onipresente. O que significa essa presença escarlate, que não pediu licença para entrar em meu escritório? Significa que alguém, ou alguéns, deixou uma mensagem muito importante para a minha pessoa.

Digito uma sequência de teclas, e sou brindado com aquela vozinha insossa de secretária eletrônica corporativa "Você tem oito mensagens!".

Iupi! Não posso deixar de pensar que vou ter mais oito coisas para fazer num dia que já começou bem.

Vamos lá, "Mensagem Um!" ... "Início da mensagem" .... "clank plack tick glock gluck crash paum" (Não, não é o seriado do Batman anos 70, são apenas ruídos de fundo do elemento deixador de mensagem) ... "Fim da mensagem, pressione jogo da velha, sete, quatro, dezoito e meio, asterisco, jogo da velha para apagar ...."

Bem, penso eu, esse não era importante, vamos para o próximo ..... Não vou gastar seu tempo explicando que o mesmo ocorreu para as oito mensagens, apenas clanks, placks, ticks e glocks e nenhuma mensagem.

Fico aliviado, obviamente. Afinal de contas, são oito coisas a menos para eu fazer. Fico então feliz por ter mais tempo livre no meu dia (sei que é meio burro, posto que eu não tinha nada para fazer antes de ouvir os recados. Mas como eu tive a expectativa de ter mais oito coisas para fazer, agora sinto que o dia está melhor, 'coisas de Laurinha').

Mas meu alívio não é o único sentimento que fica. Me sobra também uma dúvida que me acompanha há alguns anos.

Por que o ser [talvez humano, talvez não] que me ligou; sem a intenção de deixar uma mensagem; esperou a minha vozinha mala de secretária eletrônica dizer que eu não estava, esperou o 'beep' e só então desligou o telefone?

Por que?

Será que esse ser acredita que eu conheço o terceiro segredo de Fátima, e decidi contá-lo no final da minha mensagem da secretária eletrônica? Ou será que ele acha que eu entendi, e vou explicar, o final do LOST?

Bem, acho que nunca vou saber quais as verdadeiras intenções desse ser não-deixador-de-mensagens, mas que entope a minha secretária eletrônica com onomatopéias batmescas (e não vou gastar vosso tempo, ó caro leitor, falando daqueles elementos que colocam seus telefones na espera, e me deixam 15 minutos - o limite de tamanho de uma mensagem - de músicas insuportáveis como mensagem).

Talvez eu deva colocar um 'disclaimer' no recado, dizendo que depois do 'beep' eu NÃO vou, milagrosamente, atender ao telefone.

Ou, melhor ainda, vou transferir meu ramal para o 011 1406, quem sabe tem um cérebro na oferta ....

maio 19, 2010

Como eu preferia quando Murphy ainda era megalomaníaco

Há uns cinco meses estou sem um estojo para guardar minha escova de dentes no escritório. Eu, particularmente, não ligo. Mas a galera acha meio nojento eu jogar a escova na gaveta junto com a papelada, e a carregar pro banheiro no bolso (o que faz com que eu tenha que eliminar aquele 'broscolho' de tecido de dentro do bolso que fica preso nas cerdas antes de começar a escovar os dentes).

Então, decidido a cumprir mais um dos rituais sociais de fazer parte de um grupo, fui eu à farmácia e comprei um estojo para escovas de dentes. Nem preciso dizer que comprei o que tinha mais 'personalidade', ou seja, o mais barato mesmo.

No dia seguinte, quando chego de volta no escritório e vou rasgar a embalagem do estojo para acondicionar minha escova, me dou conta de umas letrinhas miúdas, assim na parte de trás da embalagem...

"não serve para escovas da marca Oral B" 

Preciso dizer qual a marca da minha escova?

Foi então que me lembrei de uma época mais fácil para se viver, e é sobre essa época que escrevo a seguir:

"O dia, ou melhor, a noite é 14 de abril, o local é Southampton - Inglaterra. Em um cais escuro do antigo mundo parte em sua viagem inaugural o maior e mais inafundável navio de passageiros do mundo, o RMS* Titanic.

"O Titanic contava com as mais avançadas tecnologias disponíveis à época, mas como todos sabemos, não resistiu ao impacto com um gigantesco iceberg e foi a pique, com uma perda imensa de vidas humanas.

"Como para todo acidente de grandes proporções há também nessa estória o que nós, seres humanos, fãs incondicionais de explicações complicadas pra tudo, chamamos de 'sucessão de erros' que culmina com o acidente em si.

"Eu já tenho uma explicação mais simples para o acidente .... a megalomania do Murphy** - esse mesmo, aquele da Lei (já escrevi sobre ele aqui).

"O Murphy era um megalomaníaco dos piores. Afundava os Titanics, incendiava os dirigíveis, atrapalhava todos os atentados contra o Hitler, ou seja, amava patrocinar as maiores cagadas da humanidade.

"Mas, como enuncia*** a própria Lei de Murphy, se uma coisa pode piorar, ela vai piorar e na pior hora, e não é que São Longuinho - com a sua mania de achar tudo - resolveu achar que Murphy tava perdendo o controle e decidiu intervir ....

"Murphy. Podemos conversar?"
"Nem vem São Longuinho, já disse que dessa vez não fui eu."
"Não é nada disso, eu já achei o Elvis. O problema é que foi com São Pedro ... mas deixa pra lá. Quero falar sobre essa sua mania de grandeza."
"Lá vem ......"
"É sério Murphy. Onde você acha que vai parar assim, é como droga, hoje você toma Tang, amanhã tá no bar se entupindo de ovo colorido."
"Tá, mas o que você quer que eu faça?"
"Não se preocupe, já acertei tudo com Santa Dymphna****, é só você marcar umas sessões com ela que tudo vai ficar bem."

Simplificando a estória, Murphy fez 27 sessões com Santa Dymphna e ficou 100% curado de sua magalomania.

Mas como eu preferia ele antes da cura, quando ele ainda era megalomaníaco e só se preocupava com grandes eventos, não lhe sobrando tempo para escovas de dentes e seus estojos!

..... Santa Dymphna você é uma ..... deixa pra lá ...... derrubei café no teclado ......



RMS Royal Mail ship ou Royal Mail steamer (significando "navio" ou "vapor do Correio Real" e, normalmente, abreviado para RMS) é um prefixo usado em navios mercantes britânicos contratados pela Royal Mail (companhia postal nacional do Reino Unido) para transportarem correio.


** Se quiser saber mais sobre a Lei de Murphy, clique aqui


*** Os enunciados da Lei de Murphy são diversos e variados, mas gravitam sempre no mesmo tema, vide **


**** Para saber mais sobre Santa Dymphna, padroeira dos médicos de malucos, clique aqui


**************** Sim, eu sei, sou meio viciado na Wikipedia, mas, a meu favor, já escrevi sobre suas limitações aqui







abril 20, 2010

A tampa da privada e a igualdade dos direitos

"Abaixe a tampa da privada!" gritava ela lá da sala. E quando eu perguntava o motivo de eu ter que abaixar a tampa da privada, me respondia que era para que ela não tivesse que abaixá-la quando fosse sua vez de ir ao banheiro.

Isso sempre me deixou puto, pois algo não fazia sentido lógico nessa discussão!

Já me disseram que não vale à pena um homem discutir com uma mulher, pois homens gostam de ter discussões lógicas (mesmo que sofre assuntos ridículos, como quem ganharia uma briga entre o homem-aranha e o Batman), coisa que mulher não entende - ou até entende, mas de uma forma ilógica, para os padrões lógicos de lógica.

Mas até aí não havia eu tomado consciência de que essa afirmação não era apenas mais um capítulo da eterna, e lúdica, guerra dos sexos, mas sim uma verdade absoluta.

Passei então a analisar, logicamente, o argumento de nós, homens, termos que abaixar a tampa da privada após termos terminado nosso xixizinho. Decidi então por fazer uma simulação dos dois lados da estória, com a hipótese de que ela estivesse certa (ou seja, que o correto é que eu abaixe a porra da tampa da privada depois de mijar):

Vejamos, passo a passo, a ida do homem (eu, no caso) ao banheiro para tirar a água do joelho::

1 - entro no banheiro
2 - levanto a porra da tampa da privada
3 - abaixo a calça, bermuda, shorts, pijama, cueca ....
4 - seguro a ferramenta
5 - mijo
6 - chacoalho três vezes (mais que três vezes tem outro nome!)
7 - guardo a ferramenta
8 - subo a calça, bermuda, shorts, pijama, cueca ....
8.a - última gota é na cueca (dos impostos, da morte e da última gota na cueca ninguém escapa)
9 - abaixo a porra da tampa da privada
10 - dou descarga
11 - lavo a mão (há a escola do 'lavo a mão antes do xixi' mas essa discussão é para depois, o importante é lavar a mão após)
12 - saio do banheiro

Agora analisemos, passo a passo, a ida da dona da pensão ao banheiro (lembrando que estamos trabalhando com a hipótese - absurda - dela estar certa quanto a quem deve abaixar a tampa da privada)::

1 - entra no banheiro
2 - olha no espelho
3 - arruma o cabelo
4 - faz sei lá o que com a roupa
5 - senta
6 - olha no espelho
7 - olha o esmalte
8 - faz o xixi
9 - limpa o xixi (alguns homens também o fazem, é higiênico, mas dada a máxima da última gota, é dispensável e inútil)
10 - olha no espelho
11 - levanta
12 - faz sei lá o que com a roupa
13 - dá descarga
14 - lava as mãos (espero eu)
15 - olha no espelho
16 - dá uma lixadinha na unhas
17 - suspira pensando que podia ter uma amiga com ela no banheiro para elas fazerem juntos sei lá o que é que duas mulheres sempre fazem no banheiro
18 - retoca o batom
19 - sai do banheiro

Eliminando os passos inúteis (2, 3, 6, 7, 10, 15, 16, 17 e 18)  temos 10 passos para a mulher contra 12 passos para o homem. Para qualquer pessoa que pode somar, fica óbvio que a disparidade de 2 passos pode ser melhor dividida para os dois membros do casal, e, pasmem, qual o passo que pode ser eliminado do algoritmo masculino? Qual? Chuta?

Isso mesmo, C.Q.D. o passo é 'abaixar a porra da tampa da privada'!!!!!!!!!

Vocês mulheres que se virem, a partir de hoje, direitos iguais, se eu tenho que levantar pra usar, você que abaixe na sua vez .....

abril 14, 2010

A quantidade de camisinhas e a evolução da vida

A vida conforme o número de camisinhas:

0 camisinha :: você nasce

1 camisinha :: você tem 14 anos, e essa mesma camisinha lhe acompanhará por uns dois anos, mais ou menos

2 camisinhas :: você está no cursinho, uma pro sábado e uma pro domingo

7 camisinhas :: você já está na faculdade, uma para cada dia da semana (se faltar pega do 'comeninguem' que mora com você na república, ou faz uma 'maçonaria'** da camisinha)

12 camisinhas :: você casou (e antes que você ache se ache o 'ator de filem pornô', achando que que vai dar duas por dia da semana e uma no sábado mais uma no domingo, já vou destruindo seus sonhos:: é uma por mês!)

0 camisinha :: você ainda tá casado, mas decidiu, mesmo contra todos os conselhos das pessoas que se preocupam com o futuro da humanidade, que vai replicar seus genes

x camisinhas (onde 'x' é igual à quantidade de comprimidos azuis em uma caixa de comprimidos azuis) :: você já tem idade suficiente para não se incomodar mais em ir ao urologista para o exame de toque (e já respondo: 'Não. Não é normal sentir saudades dele!', 'Não. Não é normal o médico ficar com as mãos nos seus ombros ao fazer o exame!' e, pra garantir que você não está mesmo sendo enganado 'Não, não precisa fazer o exame todo mês!')

y camisinhas (onde 'y' é igual ao que mesmo?) :: aquele alemão que te acompanha (o Herr Alzheimer) não te ajuda nem um pouquinho a lembrar o que fazer com as camisinhas que comprou

** Na minha república, havia a 'maçonaria da cerveja'. Era um frigobar onde haviam seis cervejas, quem quisesse podia pegar cerveja de lá quando quisesse, desde que repusesse a quantidade utilizada - em dois dias se fosse apenas uma, ou em um dia se fosse mais de uma. Sempre funcionou como um relógio.

abril 10, 2010

O verdadeiro significado de certas coisas (post sério!)

Está lá o dicionário, pai dos burros (talvez a pior alcunha possível a esse livro de tantas páginas, pois burro é aquele que acha saber tudo. Áquele que busca o conhecimento em suas páginas, dá o dicionário o nome de pesquisador, ou algo que o valha) a nos esclarecer o significado das palavras.

Mas devo dizer que, a meu ver, o dicionário pode explicar muito, pode dar sentido a milhares de termos que não nos passam nenhum significado, ou ainda, nos causar espanto quando nos ajuda a entender que aquele que achamos ser o significado de uma palavra é apenas um equívoco; mas não é onipotente em seu fim.

Digo eu sim que o dicionário não é capaz de explicar tudo. Não, não sou um herege, blasfemo ou algum outro significado que podemos achar para o termo nas páginas deste que dei eu a contestar agora.

Antes de me axincalhar, dê-me a chance de explicar: 

Penso eu que o verdadeiro significado de certas palavras só aprende aquele que tem um filho, que com ele passa o dia, que dele cuida, que a ele alimenta, veste, banha, escova os dentes ....

Somente a esse ser de sorte, o pai ou a mãe, dá o universo a esclarecer, além da capacidade do melhor dicionário já editado, a verdade por trás da palavra. Somente um pai ou mãe consegue ver por trás da mera justaposição de letras que são certos verbetes.

Bem, deixemos de filosofia e vamos ilustrar meu ponto de vista sobre a incapacidade esclarecedora dos dicionários.

A primeira palavra que nos é dada a entender em sua plenitude ao termos um filho é FELICIDADE .... ficamos felizes à toa, por ganhar um presente, por trocar de emprego, por ver nosso time ganhar, BALELA!!! Aquele que viu o parto do filho, que assistiu a seu primeiro sorriso, que ouviu sua primeira palavra, que o apoiou em seu primeiro passo ... esse sim sabe o que realmente quer dizer felicidade.

Depois se nos esclarece a palavra AMOR ... sofremos de amor na juventude, amamos nossos ídolos, pais, mães, irmãos. Mas todos esses amores tem um ponto em comum, são amores por escolha, hábito ou tradição. Quando temos um filho, há uma novidade presente. O amor ao filho nasce do nada, é instantâneo, não existe por obrigação ou por dívida, nem por um prazer egoísta. É sim um sentimento que surge; apenas aparece alí, dentro da gente, vem sem escolha, existe por ser bom, e perene é.

O que dizer então de PACIÊNCIA* .... achamos que ter paciência é conseguir aguentar uma hora de trânsito pela manhã, é não matar o garçom que trouxe nosso refrigerante errado, é suportar quaisquer desses perrengues menores sem proferir um palavrão indecente. Não, o verdadeiro significado da palavra paciência só sabe quem já tentou convencer aquele ser humano em miniatura a fazer algo que a ele é importante, ou necessário, mas que a essa miniatura não interessa; coisas como dormir na hora certa, comer um vegetal, desligar a televisão, fazer a lição de casa, dividir um brinquedo. Bem, todas aquelas coisas que caem no job description de pai** .... (e uma coisa devem todos os adultos candidatos a pais entender:: criança tem paciência infinita, o que já nos é um luxo escasso. Será que é essa a razão de sempre dizermos "como era bom ser criança"? Talvez!)

MEDO .... essa nem vontade de comentar dá, pois quem tem filho tem medo. E tem medos que pareciam não ser possíveis ... Mas só de pensar em exemplos para explicar, fico eu com medo. Paro por aqui ......

Bem, há tantas outras palavras, mas acho que você já pegou o fio da meada e posso parar por aqui ......



* Escrevi esse post pois hoje perdi a paciência com meu pequeno por um motivo estúpido e, ao pensar nisso, me dei conta das outras palavras desse post. Além disso, foi nessa semana que, conversando com outros pais, lembrei-me de um vídeo que assisti, um que mostra um filho perdendo a paciência com um pai por conta de uma passarinho. Vídeo esse que todo pai e todo filho devem assistir uma vez na vida (a segunda é quase impossível pois você começa a chorar antes do vídeo começar!!!).

Link pro vídeo:: http://www.youtube.com/watch?v=mNK6h1dfy2o
** Pra mim a tarefa principal dos pais é:: dar ao filho aquilo que ele precisa, não aquilo que ele quer!

*** E leiam aqui ótimas e totalmente coerentes "dicas de um pai que nunca foi" do Rodolfo Araújo
http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/01/dicas-de-um-pai-que-nunca-foi.html
http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/02/mais-dicas-de-um-pai-que-nunca-foi.html



abril 06, 2010

Vamos delatar a pupila!?

E fui eu há algumas semanas fazer meus exames oftalmológicos, e como de praxe para aqueles que possuem olhos maiores do que o normal e, consequentemente, um risco maior de problemas na retina, havia a necessidade de eu dilatar as pupilas.

Felizmente, tudo correu na normalidade. Quero dizer, se você acha que ficar 30 horas com as pupilas dilatadas é normal, então correu tudo na maior normalidade.

Dia seguinte, estava eu no escritório contando o causo da pupila dilatada e me vem um de meus companheiros de trabalho dizendo que ele também já precisou delatar as pupilas.

Sequência óbvia de fatos, disse a ele, mala que sou, "não quisestes dizer dIlatei as pupilas?". Mas o cabra não se vexou não e me disse que não foi dilatar nada não, foi mesmo dElatar as pupilas. Ao que, novamente numa sequência óbvia, perguntei "Mas como assim? Como alguém delata as pupilas?".

Explicou-me o X9 que ele, cansado do comportamento luxurioso e pecaminoso de suas pupilas, resolveu ir à delegacia e delatar suas pupilas pelo crime de passar a maior parte da noite olhando para pornografia na internet. Esclareceu ele também que o escrivão e o delegado, a princípio, ficaram um tanto espantados com a estupidez do delator. Mas que o espanto se transformou em histeria infindável, o que o impossibilitou de terminar o processo de queixa.

Puto da vida por ter sua delação transformada em piada, e já descrente na justiça dos homens decidiu o cabra apelar para a justiça divina. Foi ele se confessar ....

Long story short, o padre após confirmar por três vezes que o cabra estava mesmo confessando um pecado de sua pupila internet-porn-addict, decidiu passar-lhe a penitência: uma ave-maria ....

"Como assim Padre? Uma ave-maria somente não é penitência."

Ao que o Padre respondeu "Meu filho, se considerarmos que olhar pornografia na internet é pecado, o céu terá que investir muito dinheiro em alterações para sua nova população de 100% de deficientes visuais", e complementou "Então tivemos que criar uma jurisprudência para essas novidades da tecnologia. Chegamos então à conclusão de que, desde que você não olhe pornografia de forma a atentar contra os Dez Mandamentos, não há problema!".

"Mas como assim, não atentar contra os Dez Mandamentos?"

"Fácil meu filho, veja os exemplos::
"Não dizer 'meu Deus ....' ao olhar a pornografia
"Não olhar pornografia aos Domingos.
"Não olhar pornografia de mãe e/ou pai. A menos que você entre no quarto deles sem querer, aí você já está perdoado automaticamente porque os pecadores dos seus pais deveriam ter trancado a porta.
"e assim vai. Entendeu?"

"Sim, Padre, mas e aquele mandamento de 'não cobiçar a mulher do próximo'?"

"Ah, esse é complicado. Mas assumamos que se a mulher do próximo tá lá peladona na internet, o próxima não tá muito preocupado. E não há pecado em cobiçar o que lhe é entregue de bom grado."

março 23, 2010

A verdadeira história da origem da couve de Bruxelas

Era uma tarde de primavera na pacata cidade de Marteis, subúrbio a sudoeste de Bruxelas, o clima era típico da estação e o cheiro de vida pairava no ar (sem falar naquela desgraça de nuvem de pólen que mancha tudo que encontra pela frente).

Um agricultor, vamos chamá-lo de Pierre, já em seus 40 anos de vida estava a preparar a terra para o plantio de batatas doces, como fazia desde que ainda era um menino de calças curtas, e ainda utilizando as mesmas ferramentas que foram confeccionadas pelas mãos de seu avô.

Mas as coisas não eram mais tão boas e prósperas quanto ele gostaria, e sua propriedade mal produzia o suficiente para lhe alimentar.

Como Pierre já era um pouco mais lento do que em seus áureos tempos de adolescente europeu, a noite chegou e dominou toda a paisagem antes que ele se desse conta disso. Ao levantar seu olhar, porém, percebeu que havia uma estranha luz no céu, luz essa que rapidamente se aproximou de seu campo de batatas doce.

O mais interessante é que ao se aproximar da fonte de luz, Pierre percebeu que se tratava de uma espécie de nave espacial. E qual não foi sua surpresa quando dela saíram dezenas, se não centenas ou milhares, de seres verdinhos de, aproximadamente, um palmo de altura.

Não se sabe até hoje se foi por medo, ou por susto, que Pierre lançou mão de sua foice e decapitou o primeiro dos pequeninos seres verdes. O que se sabe é que, após a primeira morte, todos os demais seres estacaram em uma aparente tentativa de se manterem invisíveis àquele gigante monstro decapitador.

Pierre apenas ficou lá, assim como os pequeninos, assustado e imóvel, mas seu coelho Sanson não se fez de rogado e, tomando aquela pequena cabeça por uma iguaria, se deliciou como nunca havia feito em sua vida. Pierre nunca havia visto um olhar de tal felicidade naqueles olhinhos vermelhos.

Um pouco por fome, inveja, ou talvez por caduquice mesmo, Pierre resolveu experimentar um pedaço daquela pequena cabeça, e qual não foi sua surpresa em constatar que ela era saborosa .....

E foi assim que após aquela noite de primavera, o mundo passou a conhecer as cabecinhas de E.T. como Couve-de-Bruxelas.


p.s.> obviamente que a história acima, para uma pessoa com um pouco de inteligência, possui alguns pontos não claros ou pontos que causam uma certa discussão sempre que trazidos à tona. Na humildade de meus conhecimento tentarei esclarecer estes pontos a seguir::

1 - de onde então continuam vindo as couves de bruxelas atualmente:?: a tripulação da nave dos marcianos era de, aproximadamente, setenta e quatro milhões de E.T.s, que se mantém em estado de 'choque' até os dias atuais.
2 - por que somente a 'cabeça' do E.T. é comercializada?:: há duas linhas de especulação sobre esse assunto. A primeira delas dita que, devido à alta concentração de gases marcianos, o corpo dos E.T.s é extremamente   desagradável em seu sabor. Já a segunda linha de pensamento justifica a não comercialização dos corpos, por conta dos E.T.s serem seres extremamente bem dotados, o que chamaria muito a atenção.
3 - por que os E.T.s foram, exatamente nessa noite, parar na Bélgica, já que em todas as outras ocasiões em que E.T.s são encontrados, eles estão nos E.U.A.?:: Essa é fácil, mas me desculpe pela revelação que farei agora:: OS EUA NÃO SÃO O UMBIGO DO MUNDO e tudo que eles mostram no cinema é 'ficção', ou você acha que todos os E.T.s também sabem falar inglês? ou ainda que, em questão de dias os americanos daquele filme gay, Independe se dei!, conseguiram fazer um vírus (e fazer o upload deste) para a nave-mãe dos alienígenas, sendo que na vida real a gente não consegue nem fazer um copy&paste do Excel para o Word sem perder a formatação .........
4 - "Serpa, pesquisei Marteis na internet e não achei nada!":: Me dê cinco minutos e procure de novo na Wikipedia!!!!!!!

março 21, 2010

A verdadeira história da origem da Divina Comédia

"Alô, ouvidoria do Céu, Santo Ivo, juiz môr do Supremo Tribunal Celeste, falando."
"Alô Seo Santo Ivo ..."
"Shhh. Aguarde as opções ... Se você quer relatar um pecado capital, disque 666; se você quer relatar um pecado não capital, disque 666; se você quiser relatar qualquer outra coisa, disque 666."
"Hã? ... vá lá, pin pin pin ..."
"Você selecionou pin pin pin, o que significa que você quer relatar alguma coisa. Por favor, relate sua reclamação após o tom ......... PIIIINNNN."
"Bem, eu quero ...."
"Shh. Esqueci do disclaimer - 'sua ligação será gravada para efeitos de qualidade, treinamento, manutenção do emprego dos colaboradores do setor de arquivos, manutenção do emprego dos colaboradores do setor de disclaimers e blá blá blá."


"Posso falar agora?"
"Sim, qual o seu relato?"
"Bem, eu quero reclamar que o pessoal lá de Sodoma e Gomorra tá na maior putaria."
"Sim, é daí?"
"Como assim, 'e daí?''?"
"Eles estão na maior putaria, isso todo mundo já sabe. O que você tem pra trazer de 'novo'?"
"Ah?! Bem..... eles também estão com uma mania de mandar os visitantes dormirem numa tal cama. E aí se o visitante for muito grande eles cortam fora a perna do coitado, se o visitante for muito pequeno eles esticam o coitado."
"Assim está melhor, uma reclamação nova ... e que não parece ser apenas um brocha, que não é convidado pra nenhuma das surubas, querendo foder a vida dos outros ... aguarde na linha que estarei verificando o que estarei podendo estar fazendo pelo senhor."

Música de fundo ... aquela nuvem que passa/ lá em cima sou eu/ aquele barco que vai/ por mar afora sou eu .... 
15 minutos depois ....

"Obrigado por aguardar. Qual o seu nome Senhor?"
"Jacinto Pinto Aquino Rego"
"Obrigado Sr Jasente... quero dizer, Jacinto. Aguarde mais um instante, por favor."

Música de fundo ... Jesus Cristo! Jesus Cristo!/ Jesus Cristo eu estou aqui/ Jesus Cristo! Jesus Cristo!/ Jesus Cristo eu estou aqui.../ Olho no céu e vejo/ Uma nuvem branca Que vai passando/ Olho na terra e vejo Uma multidão/ Que vai caminhando....... 
15 minutos depois ....

"Obrigado por aguardar Sr Jacinto! Conversei aqui com meus superiores e concluímos que o melhor a fazer é mandar fogo e enxofre na cabeça de vocês e acabar com essa palhaçada toda. Obrigado e passar bem."
"CALMA AÍ. Como assim 'na cabeça de VOCÊS'? Eu não ganho nada por ter caguetado essa cambada?"
"Como assim 'não ganho nada'? Do que estás falando Sr Jacinto?"
"Estou falando da proteção ao whistleblowers garantida pela Lei Sarbanes-Oxley, da delação premiada, do programa de proteção às testemunhas. É disso que estou falando!"
"Whistle what? Aguarde mais um instante, por favor."

Música de fundo ...I want you ugly/ I want your disease/ I want you everything/ as long as it's free ... 
35 minutos depois ....

"Obrigado por aguardar Sr Jacinto! E desculpe pela música profana, é que o estagiário ainda não entendeu que aqui não é a Google. Conversei de novo com o povo aqui em cima e concordamos em fazer um acordo com o senhor."
"Ótimo, vou ser salvo?!"
"Sim, mas com uma condição bastante simples."
"Ótimo, qual é?"
"Bem, o senhor vai ter que fazer um trabalhinho pra gente. Vai ser uma coisa assim meio Caco Barcelos meets FBI. O senhor vai fazer um trabalho de jornalismo investigativo sob disfarce. E com o resultado desse trabalho vamos reencarná-lo e o senhor escreverá, sob um pseudônimo, um livro pra esclarecer umas coisinhas pra esse povo da Terra."
"Ótimo, qual é esse trabalho? Onde será? ..."
"Calma, calma. Quando destruirmos essa cambada aí no vale de Sidim, o senhor vem aqui em cima e nos lhe daremos mais detalhes sobre o processo. Mas posso adiantar que o nome do livro será 'Divina Comédia' e que o senhor vai achar o trabalho bastante 'caloroso'. Até mais e obrigado por sua ligação. Por favor aguarde na linha para nossa pesquisa de qualidade."
Nota: Santo Ivo é o santo padroeiro dos Advogados e, eu sei, que os santos não existiam antes da consolidação da igreja católica, o que ocorreu muitos e muitos anos após a destruição de Sodoma e Gomorra.



março 19, 2010

Canhoto, coisa do capeta ....

Depois de ficar uns meses sem escrever nada, na pura preguiça, vai aí um quick post ....

Somos apenas dois em minha família, eu e o pai do meu pai (a.k.a. meu avô paterno). Como em todos os lugares, somos minoria. Temos muitos nomes, mas gosto bastante do nome mais comum "canhoto", ou, se formos mais a fundo com as pesquisas (só uso fontes 100% confiáveis para minhas pesquisas, ou seja, Wikipédia!) "do capeta", "coisa errada", "desajeitado" e afins.

Imagine você, ser marginalizado por ser canhoto. Mas na prática não seríamos mais destros que os destros? Já que utilizamos o lado direito do cérebro para controlar o lado esquerdo do corpo! MORTE AOS DESTROS, filhos do capeta ... (alguém depois me confirma se é deStro ou deXtro, por favor, já que estou com muita preguiça para procurar).

Existem até lojas de materiais e equipamentos especiais para canhotos (veja os Simpsons), mas não acho que os canhotos deveriam ser tratados de forma especial só por serem canhotos. Especialmente porque muitos dos tratamentos especiais são totalmente ridículos. O melhor exemplo pra mim é 'régua para canhoto'. Que porra é essa de régua ter lado? O pior que pode acontecer para um canhoto que usa uma régua para destros é ter que fazer a conta das medidas de trás para frente (se você é canhoto e não é capaz de subtrair 10 de 5, ou 5 de 10, faça um transplante de cérebro com um pepino).

By the way, quer saber como sacanear um canhoto?! Dê-lhe de presente uma colher torta ou uma caneta tinteiro ....

1 - Colher torta - é uma colher para crianças que estão aprendendo a se alimentar sozinhas. É como uma colher normal, mas com o 'pescoço' torcido para a esquerda. O meu primo tinha uma e eu passei muita raiva tentando comer com ela. É a mesma coisa que tentar usar um mouse virado para baixo (com o 'norte' do mouse virado para a posição 6 horas).

2 - Caneta Tinteiro - a menos que sua intenção seja pintar a mão do presenteado e garantir que nada do que ele escreva seja legível.

Bem, só uma coisa importa em ser canhoto, é ser mais inteligente que os destros .... CHUUUUPA!!!!!

E acabei de descobrir que só de sacanagem o "dia internacional do canhoto é 13 de agosto, ou seja, a data da sexta-feira-13 original (ou a data em que os Templários foram traídos pela igreja católica, só porque essa última lhes devia até as calças).

Baboseiras sobre canhotos aqui ... http://www.indiana.edu/~primate/left.html


Seriedades sobre canhotos aqui (capolavoro do amigo e companheiro de poker Rodolfo Araujo) ... http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/04/o-canhoto-este-ser-sinistro.html