janeiro 01, 2012

As Três Leis da Robótica, as Empresas e o Amor



O grande mestre da ficção científica, e praticamente o criador da ficção científica moderna, Isaac Asimov, um nobre colega de Mensa, cunhou as três leis da robótica, as quais reproduzo a seguir**:
  • 1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
E daí? Você me pergunta. Respondo então: Daí que temos um dos melhores exemplos de que com simplicidade pode-se chegar ao controle absoluto de assuntos de extrema complexidade. A simplicidade que falta no mundo de hoje, a beleza do simples que vem sendo buscado por todos os ramos do conhecimento humano. Um bom exemplo dessa busca é o uso de "enxames" de robôs simples, com cérebros simples que simulam o comportamento de insetos sociais, que conseguem, por meio da colaboração, atingir resultados complexos.

E, nesse espírito, podemos ver que uma das aplicações potenciais da simplicidade das três leis e a substituição de volumes gigantescos de políticas, normas e procedimentos por "três leis do funcionário", que seriam as seguintes:
  • 1ª lei: Um Funcionário não pode ferir a Empresa ou, por omissão, permitir que a Empresa sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um Funcionário deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas pela Empresa (seus representantes), exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um Funcionário deve proteger sua própria existência (emprego) desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
Reflita na simplicidade do exposto acima e busque uma situação em que as três leis do funcionário não serviriam para substituir uma política corporativa.

E não paremos por aí, apliquemos as mesmas leis ao assunto mais complexo que existe para os seres humanos .... o Amor.

Veja como ficaria:
  • 1ª lei: Um apaixonado não pode ferir a pessoa amada ou, por omissão, permitir que a pessoa amada sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um apaixonado deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas pela pessoa amada (ou satisfazer-lhe os desejos), exceto nos casos em que tais ordens (ou desejos) contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um apaixonado deve proteger seus próprios sentimentos desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
Claro que há um descompasso aqui na terceira lei, que coloca os sentimentos do outro num nível superior aos seus, mas quem sou eu para querer simplificar o amor ........


* Se você assisitu a "Eu, Robô" então você conhece o trabalho de Isaac Asimov.
** No original em inglês: 
  • 1st law: A robot may not injure a human being or, through inaction, allow a human being to come to harm.
  • 2nd law: A robot must obey any orders given to it by human beings, except where such orders would conflict with the First Law.
  • 3rd law: A robot must protect its own existence as long as such protection does not conflict with the First or Second Law.

Um comentário:

  1. Agora eu lhe pergunto: Quantas pessoas você conhece dispostas a aplicar a 3º lei?
    Proteger a empresa e só depois pensar no próprio emprego? Não é o que eu vejo por aí...
    Assim sendo, a idéia já morreu no nascedouro.

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