março 08, 2014

Os "alienados" dos smartphones e a "culpa" pela demolição da 'boa' sociedade do passado

Um absurdo. Pessoas alienadas com os olhos fixos numa tela minúscula. Lendo, jogando, conversando ... fazendo não se sabe o quê.

Uma geração perdida, que não vê o mundo ao redor.

Uma geração de pessoas fúteis que não lêem os grandes filósofos.

Será?

Tenho pensado um pouco nisso ultimamente e, sem nenhuma pesquisa com rigor científico, cheguei à conclusão de que tudo isso é "a load of bull crap".

Sei que agora já tem um montão de pseudo-intelectuais torcendo o nariz, mas vamos fazer algumas comparações e digressões a respeito::

1 - a pessoa nem acorda e já está lá, colada na tela do seu smartphone. Nem se conversa mais na mesa do café-da-manhã.

Será que isso é alguma novidade?

Lembre-se bem do passado (e tema recorrente de propagandas de margarinas [argh!]).
O pai sentava-se à mesa e enfiava sua cara escanhoada num jornal. Ficava ele perdido nos editoriais e apenas conseguia pegar sua xícara de café porque sua esposa sempre a colocava no mesmo lugar na mesa.
Nada conversava com seus filhos, pois estava ele se preparando para seu dia de trabalho.
Quem falava com as crianças era a mãe/empregada/babá/.... (a propósito, feliz dia das mulheres - mais um bullshit de sociedades que estão nem aí para essa cidadã de segunda classe).

2 - a pessoa entra no metrô/ ônibus e já enfica o focinho no seu smartphone. Nem percebe o mundo a sua volta.

Novidade?

Lembremos que no passado muita gente trazia seu jornal para ler no trajeto. Também havia aqueles que jogavam seu passatempo preferido - sudoku, palavras-cruzadas e seus correlatos.
Além disso, que vantagem Maria leva em ficar uma hora olhando pros lados num vagão de metrô, ou ônibus, lotado? O que se vê é sempre o mesmo - pessoas já cansadas antes do dia começar. Sem falar que chega uma hora em que fica extremamente difícil achar um campo de visão em que você não tenha que dar um sorriso amarelo por estar 'encarando' o co-participante dessa aventura antropológica que é o transporte público.

Bem. Eu poderia ficar horas dando exemplinhos como os acima (ninguém mais conversa à noite - como se antes de conversava sobre algo que não sobre o capítulo da novela das oito; ninguém mais lê - como se ficar lendo Sabrina e Contigo fosse melhor que ficar no FB .......) mas não o farei pois creio que a ideia geral está descrita::

Apenas mudamos os meios, mas nossa alienação é a mesma.
Não podemos culpar o gadget por nossas escolhas. Se queremos ler Sabrina e Contigo em papel impresso ou na tela do smartphone, continuamos sem agregar nada 'nobre' a nosso cérebro.
Se preferimos jogar sudoku em um exemplar Coquetel, ou se o jogamos em um app, continuamos a jogar sudoku.
Se os pais querem conversar com os filhos, o samrtphone é tão nocivo quanto o jornal impresso ou a novela.
Se vamos dormir no trajeto até o trabalho, se vamos ouvir um mp3 ou se vamos ficar bisbilhotando a vida dos outros na rede social, estamos apenas fazendo 'nada' em meios diferentes.

Long story short::

Coisa de velho achar que os jovens hoje estão piores do que ontem (podem até estar, mas não é por culpa do smartphone).

Culpar a tecnologia pelo uso que fazemos dela é mostrar que nada entendemos de história, antropologia, sociologia e tecnologia.

E tenho dito (ou escrito). E quem quiser discordar que seja bem vindo.