dezembro 12, 2011

A Fábula das Galinhas Poedeiras

"Estavam todas lá naquele galpão enorme. Enfileiradas, empilhadas, cada uma em seu ninho de dois por dois (dois palmos por dois palmos). Concentradas de forma natural naquela tarefa que lhes era comum, pois a descrição de suas atividades não poderia ser mais simples.

Uma vocação natural as unia na sua individualidade e as fazia trabalhar de forma produtiva, gerando resultados que não apenas satisfaziam o chefe, mas também geravam aquele sorriso em seu rosto.

Eram milhares delas, brancas, com cristas de um vermelho-róseo e o tom geral era de um co-có alegre.

Beckie era a mais trabalhadora, botava seus ovos sem esmorecer, se concentrava e .... 'pop', lá ia seu ovo pela calha. Feliz com o trabalho feito, se parabenizava silenciosamente e se concentrava em descansar, comer e se preparar para a próxima rodada, pois ela era a campeã, não havia um dia em que Beckie não contabilizava dois ovos para o todo da equipe. Porém, se alguém passasse por Beckie, não se demoraria mais que o esperado instante em contemplar aquela galinha branca, comum, que, aparentemente, nada tinha de especial. Aquela galinha que trabalhava todos os dias sem nenhuma pompa, comendo sua ração, tomando sua água, dormindo quando possível.

Mas ao lado de Beckie estava Martha, a galinha mais pomposa de todas. Grande, bem emplumada, de longas patas, bico reluzente, crista com cores com a qual somente os galos mais bem crescidos podiam competir em beleza.

Martha era a atração do galpão. Cacarejava como se fosse uma diva da música ao menos três vezes ao dia. Não havia quem não a enxergasse ao dar o primeiro passo após a grande porta do galpão. O dono da granja não conseguia passar um dia que fosse sem ir pessoalmente garantir que Martha havia recebido a melhor das rações, pois uma galinha bela como Martha, que cacarejava três vezes ao dia, havia de ser a melhor poedeira do galpão. E como a campeão deveria ter seus louros (em forma de ração).

Era um dia ensolarado e agradável quando o dono da granja resolveu que Martha ficaria em um lugar especial. Uma espécie de trono envidraçado, onde seu ninho seria colocado como exemplo às demais galinhas que deveriam aprender como era possível botar três ovos ao dia. Tinha ela a melhor das melhores rações, a água mais límpida, a palha da melhor grife, tudo para mostrar às outras como era melhor ser a melhor, esperando que assim todas desejassem aquela posição de melhor poedeira, gerando um aumento na produção total da granja.

Passou-se um dia. Nada. O que haveria ocorrido? Será um problema de adaptação à nova posição? Esperemos. Dois dias. Três dias. Nada ainda. Ou melhor, nada de ovos, mas a pompa continuava. Uma semana e nada. Pompa não enche barriga ou bolso, sabia muito bem o dono da granja.

Mas se por um lado Martha cantava sem botar, o que era uma pena do ponto de vista 'oval', por outro lado ela era sim a mais bela, pomposa, rechonchuda e, aparentemente, saborosa das galinhas.

Seu pescoço se foi e uma bela caldeirada de galinha a cabidela serviu os convivas do dono da granja. E Beckie se pôs a cacarejar. Um pouco apenas, pois não era de seu feitio cacarejar demais, afinal tinha que botar seus dois ovos diários e manter sua produtividade de 200% da média."

Moral da estória:: Como trabalhadores somos como as galinhas poedeiras. Não adianta nada sermos ótimos e mais produtivos que os outros, se não fazemos um pouquinho de barulho chamando à atenção para nossos feitos. Muito menos devemos fazer barulho demais por um trabalho que não fazemos, nos suportando no trabalho alheio, pois um dia seremos colocados em uma posição de destaque, onde nossa falta de capacidade se tornará evidente a todos e poderemos perder a cabeça.

Ou seja:: Cacarejar é preciso, mas antes dê uma olhadinha na palha para ter certeza de que o ovo está lá!

agosto 02, 2011

Is the Big Bang just the tear on the space-time fabric from another universe, caused by a supermassive blackhole?

Science´s main advice is to keep asking questions, and to keep imagining answers.
I like to follow that advice. So, some weeks ago i was thinking about The Big Bang. Actually I was thinking about how things were "before" the Big Bang.

Some theories say that there is no "before" The Big Bang due to the fact that space-time was created during The Big Bang, thus it is impossible to talk about "before" time was even created.
In any event I decided to not accept that there is no before and started thinking about other scenarios and I came up with a hypothesis that is “The Big Bang – in our universe – was just the spill of a rupture on another universe’s space-time fabric, caused by a supermassive black hole.

It is not too complicated to explain the thought process:

One of the ways to visually depict Gravity is by using gravity wells (mass bends space) and to use the analogy of space-time being like a plan made of a long sheet of rubber, with mass being analog to balls (bowling balls, billiard balls etc) - see an explanatory video here.
When you place those balls on the stretched rubber they cause the rubber to bend, creating the gravity wells. If you throw a small ball - like a marble - through the rubber it will eventually fall into the gravity well of the bigger (more massive) ball.
Imagine then that an object, say a star, with a small mass will bend space-time just a bit (see fig.1 below) and as you add more mass to the star space-time will bend further (see fig.2 and fig. 3 below).

Let’s then also assume that Universe A is on the top side of the space-time fabric, while Universe B is on the bottom side of it. Let’s also assume that Universe B is currently empty (see fig. 1).

If we assume there is a supermassive black hole on Universe A that is attracting every single piece of mass from its universe and is constantly (and in an accelerating form) increasing its mass we can also assume that its gravity well is getting deeper and deeper (see fig. 4).

Now we need to assume that the space-time fabric has a limited stretching capacity and it will eventually reach its rupturing point.

Fig. 5 depicts that moment just before space-time ruptures. In the very bottom of fig. 5’s gravity well we would have all the mass of Universe A (or the critical amount of mass from Universe A that would cause space-time to rupture) concentrated in a super-massive black hole. Let’s assume that due to the immense gravitational forces acting upon the black hole mass, it has all transformed into pure energy.

So, when the space-time fabric reaches its stretching limit and ruptures all the mass/ energy will “spill”  down to universe B causing Universe’s Big Bang, and transferring enormous amounts of mass/ energy from Universe A to Universe B (see fig. 6).



Simple/ Possible/ Potentially incorrect explanation!? I don’t know. But I felt like sharing it. Maybe it is even an old theory that has been dismissed already (I didn’t feel like researching it).

Of course this is just a 2D representation of a 3D (or 4D) reality, but it serves the purpose of allowing us to “see” the events that will actually happen in higher dimensional spaces.

julho 26, 2011

Envelhecendo com os reflexos melhorando, pode Arnaldo?

Estou eu à beira dos quarenta, uma barreira atualmente mais psicológica que, de fato, física. Algumas preocupações dos velhos mais antigos já não são mais preocupações para a nossa geração de velhos. Afinal de contas depois do sildenafil ninguém mais se preocupa em ficar broxa; a preocupação com a sacanagem dos amigos por causa do exame de próstata já é mouca, pois todos os amigos já o fizeram, ou o farão em breve (o plano de saúde com checkup da empresa obriga, e quem tem telhado de vidro não joga pedra para cima); a morte ainda está longe, pois já esperamos viver razoavelmente bem até os oitenta etceteras etceteras ....

Mas apesar de estar à beira dos quarenta, algo me intriga, algo que não faz sentido nenhum, algo inversamente proporcional ao que deveria ser .... meus reflexos hoje estão melhores que os mesmos reflexos quando eu tinha meus vinte anos de idade.

É verdade. Tenho me assustado como consigo rapidamente catar em meia queda aquele shampoo que derrubei no banho. Consigo rapidamente pegar aquele naco de comida que escapou no meio do caminho até a boca. Até consigo antecipar a posição da bola de futebol que vem em minha direção (algo que quem me conheceu aos vinte sabe ser muuuuuito improvável).

Não posso esconder que fiquei orgulhoso de mim mesmo. Consegui explicar essa melhora improvável com base no fato de que hoje faço muito mais exercícios do que fazia aos vinte. Também, por conta da minha maior 'experiência de vida' tenho mais calma para me atentar ao que se passa a meu redor (não, não sarei do meu transtorno com déficit de atenção e hiperatividade, continuo o mesmo esquilinho inquieto). E não posso deixar de citar que sendo ex-auditor e atualmente Compliance Officer, tenho que ficar muito mais atento aos potenciais acidentes nem tão acidentais assim que eu possa vir a sofrer (quem tem tem medo, já dizia o ditado popular).

MAAAAS, quem me conhece sabe que eu sou um cara lógico. Se algo não faz sentido, então, muito provavelmente, algo está errado, você só precisa saber onde procurar. É como quando você nunca foi o cara mais paquerado da turma, mas a mina mais gata da balada está dando mole para você ..... não tem mágica, não faz sentido, e se você chegar mais perto vais perceber que o pomo de adão dela é maior que o seu ....

Então, se não faz sentido, resolvi procurar a resposta correta, e pasmem, a encontrei ...... não são os reflexos que estão melhores, é a memória que está pior e me prega peças me fazendo achar que o reflexo há vinte anos era pior ....

julho 05, 2011

"De como me tornei 'El Rechazo'" ou "De como é ser deportado do México"


Disclaimer I: Baseado em fatos reais. Com exceção da maior parte dos diálogos, é claro!
Disclaimer II: Yo non hablo mierda ninguna de epaniól, entonces cuando en epaniól escribo és todo de sacanajem mismo.

Era um domingo como outro qualquer, ou seja, véspera de segunda e o ânimo já era em escala nanométrica, e eu me dirigia ao aeroporto internacional piada pronta 'Nuvem Baixa', ou 'Cumbica' para você que ignora a língua original dessa Terra de Vera Cruz.

A aventura começa com o motorista do táxi que dirigia como um Mister famoso da televisão, mas que eu não conseguia definir se era o Mr Bean ou o Mr Magoo. Na dúvida, e por estarem os cintos de segurança do banco de trás da viatura escondidos, no primeiro SINAL (vejam bem, senhores paulistanos, "farol" é uma peça do carro e não um sistema de SINALização de trânsito) me mudei para o banco da frente. Deu certo, cheguei vivo à lata de sardinha, digo: aeroporto. Ao menos acho que cheguei vivo, posto que, até onde sei, nunca morri e não saberia distinguir se estou vivo ou morto em um limbo que mimetiza a Terra.

Check-in feito, a atendente sorridente diz que é bom eu me dirigir diretamente ao terminal, pois a fila da PF estava um pouco grande. Aprendi mais uma: "pouco grande" em língua de atendente de companhia aérea significa quiloméééééétrica. Me lembrou um pouco das filas dos parques de Orlando, lá você vê uma longa fila, espera, a fila anda, você vai chegando até o próximo ponto cego, esperanças subindo .... mas quando chega ao ponto cego percebes que ainda tens mais um longo zigue-zague de filas. Outro ponto cego, e mais outro, e mais outro ... é mesmo como as filas dos parques de Orlando, mas sem a diversão ao final. All-in-all quase uma hora e meia de fila até passar do guichê da PF. E a FIFA e o COI ainda têm esperanças .....

O bom é que não tive que esperar para embarcar. Assentei-me na poltrona cinco golf, liguei o massageador das costas, tomei meu jugo de naranja, dormi ...... um belo e tranquilo vôo. Bastou sair de solo tupiniquim e tudo estava melhorando. Ou assim pensei.

Desço do avião, caminho até a Imigração, sou parado no meio do caminho pela revista "aleatória" (Aleatória, claaaaaaro! Minha cara de Saleem Habib ibn Muhammad não teve nada com a seleção, tenho certeza), mas nada grave, posto que a única droga que eu levava era o Windows que rodava no meu laptop, e essa já é tolerada.

Saio da revista "aleatória", chego ao balcão da Imigração e a moça já manda um belo "Bisto? Por favor!".
"Como assim visto?" - Pergunto eu, posto que brasileiro não precisa mais de visto para entrar no México .... long story short eu precisava estar com meu visto americano que estava no OUTRO passaporte que NÃO estava comigo (aquela moça que deveria ter checado a existência do meu visto no Brasil não o fez).

A última frase da moça da Imigração mexicana ao me deixar na terrível e famosa "salinha" foi: 'penso que vai a tener problemas. Hable com mi jefe!".

Se havia uma palavra para resumir a cena, essa palavra era: Fodiô!

Na salinha (10mx10m, cadeiras ao longo das paredes, um bebedouro com aqueles copinhos que são apenas um funil de papel, aqueles mesmos em que você bebia garapa no interior, uma TV passando o equivalente da Ana Maria Braga mexicana - essa foi a primeira fase da tortura, ninguém merece um "lorito Joselito") me chega uma oficial Federal e começa o diálogo:

Su nombre, por favor?
Alejandro, pero con un 'équis' e una 'e'.
Como? Alejandro non tiene 'équis' o 'e'.
Yo sé, és que mi nombre non és Alejandro, és Alexandre, compreendió? Alexandre és Alejandro con lo 'équis' y la 'e'.
Humpf! Fecha de nascimiento?
Beinteuno del siete del milenovecientossetientaecuatro.
Julio?
NO, ya te dice que mi nombre és Alejandro, pero com un 'équis' y una 'e'.
"Julio" en la fecha de nascimiento!?
Ah! Si! Julio.
Apellido?
Depiende, en la escuela era Cazuza, en la unibersidá era Grillito, mi madre me llama de Alex Fabiano. Cual preferisces?
APELLIDO és el nombre de família!
Ah! Si! da Cunha Serpa entonces.
Gracias....

E lá se foi a oficial com todas as informações anotadas em seu Tablet (um pedaço de papel já todo rabiscado para ser mais fiel à realidade). A propósito, já não fazia mais idéia de onde estava meu passaporte, pois o mesmo havia sido confiscado.

Cinco minutos depois, chega o Jefe, ou o que eu achei ser o Jefe.

Buenos dias Señor!
Buenos dias oficial!
Dedonde vienes, para donde vais? Donde trabaja? En que trabaja?
Biengo desde Brasil, me quedo em Mexico-DF, trabajo em Novartis que hace drogas ..... no, no, medicinas ... Soy Compliance Officer.
Muy bien, Compliance Officer, una persona que trabaja com reglas e leyes? E las deve conocer!?
rechazado - Grungy ink stamp, vector format very easy to...Si! - aqui você já deve perceber que a ficha caiu, não dava nem para pedir um jeitinho pro cara. Fodió mismo!
Entonces deves saber que vai a ser RECHAZADO?!....


RECHAZADO? Não poderia ser Deportado? Deportado é muito mais cult, e RECHAZADO me parece uma palavra muito dura, é como se chama um cachorro que é tocado da igreja. Me lembrei até daquele negócio da novela "O Clone", 'eu te repudio, eu te repudio, eu te repudio'. Não tinha palavrinha pior não?

Mas decidi não discutir filologia com o oficial, afinal de contas, eu sei exatamente quando se perde uma discussão com uma autoridade, exatamente no momento em que você a começa. E muito melhor 'rechazado' que 'recheado' por linguiça mexicana em uma cela suja em Ciudad Juarez por ter desacatado uma autoridade.

Assinei os papéis de RECHAZO e fui escoltado até uma sala de trânsito. Aqui percebi que foi bom ter sido educado com o Jefe de La Polícia Federal, pois ele podia ter me largado na "salinha" que nem banheiro tinha, mas não, ele deixou que eu ficasse na sala de trânsito, onde havia banheiro, água, televisão, e mais gente (pessoas não "rechazadas", apenas que estavam de passagem sem visto, eu era o único pária da sala).

Foi na sala de trânsito que começaram o processo de desumanização (o mesmo que as forças especiais usam para destruir o equilíbrio psicológico dos soldados. Ou você acha que "zero um" ou "zero dois" é só para ficar bonito no filme?) e eu me tornei "El Rechazo".

Me informaram que eu voltaria ao Brasil no vôo das 23:30, e isso era apenas 08:30. Ou seja, vinte e três menos oito, noves fora, 15 HORAS de espera. Sem problemas, tenho meu BlackBerry e meu Laptop para me ajudarem. Peguei o BlackBerry para ligá-lo ... oops ... acho que ele ligou sozinho no meio do vôo, já que estava ligado e com a bateria no vemelho. Sem problemas novamente, tenho o carregador ... oops ... só não tenho um adaptador para aqueles pinos pré-históricos das tomadas que haviam na sala. Sem problemas novamente, fiz uma chupeta da bateria do laptop (não tinha wi-fi mesmo) para a bateria do BlackBerry, o que me deu alguns momentos de contato com o mundo exterior.

Uma moça que me ficou de babá designada me disse que me trariam café-da-manhã e almoço, só não lembrou de me dizer que o café chegaria às 11:30 e o "almoço" às 18:00.

O café-da-manhã foi "normal", pão, ovo, doritos, feijão e café. E já haviam se passado três das quinze horas. Comecei a ficar meio de saco cheio, pois era eu e a TV falando de "eleições, enchentes, eleições, enchentes, eleições, enchentes, um produto milagroso para acabar com varizes, um produto milagroso para acabar com cistite, um outro para acabar com colite", ou seja, uma desgraça.

Quando achei que não pudesse ficar pior e que o tédio de ficar sozinho na sala era a parte mais chata, eis que chega uma delegação de dança do Peru. Vinte e três pessoas, vinte adolescentes, três velhas reclamentas e barulhentas. Como era bom o silêncio. Isso já era lá pelas 16:00 e comecei a supor que o almoço não chegaria, comi um pão que salvei do café-da-manhã com água.

Começou um jogo de futebol da copa sub-17, Alemanha e Inglaterra "go Deutschland", 3x2. Mas quando acabou o jogo, tive que ver quinze minutos de novela mexicana ... GI-ZU-IS! Começou então um outro jogo e chegou meu 'almoço', já eram 18:00.

O 'almoço' também era 'normal', um bowl de canja, que estava bem gostosa devo dizer, umas fajitas com frango, guacamole e uma Cueca-Cuela. Fiquei até feliz com o 'almoço'. Mas a felicidade durou pouco, posto que não havia colher para tomar a canja, a Cueca-Cuela ficou muito tempo encostada na sopa e esquentou, como também o fez a guacamole (WARNING:: não comam guacamole quente) e se isso não bastasse, as três velhas reclamentas começaram a bater boca com os oficiais da Protéccion Federal sobre quem, e quantos, poderiam sair para comprar comida ... virou um furdûncio (e tudo em epaniól gritado. Got the picture?) .... 19:00 ... apenas mais quatro horas e meia....

Decidi que já era hora de tomar banho. O que não fez a mínima diferença, posto que chuveiro não tinha ali. Passei um pano úmido no suvaco e no pescoço, troquei a camiseta e dei-me por satisfeito (melhor o banho de gato que ter que pegar o sabonete naquela prisão de Ciudad Juarez).

Assisit o México perder pro Chile na Copa América, depois assisti a um programa do tipo Raul Gil (se vocês acham o Raul Gil ruim ....) e chega a moça que iria me acompanhar até o avião.

Donde está EL RECHAZO?
Soy Yo!

E fui então a caminho do avião. Sem saber se iria voltar de classe executiva ou de pobre, mas pelo menos furei a fila e fui escoltado até dentro do avião, ainda sem sinal do meu passaporte.

O vôo foi tranquilo. Quando o piloto comunicou que estávamos em procedimentos de descida, uma das atendentes veio me entregar o meu passaporte. Só tenho a esperança de que ninguém que alí estava sabia que aquilo significava que eu era "El Rechazo" (eu não saberia) ...

E foi assim, sem torturas muito pesadas, que pude chegar em casa e tomar um banho depois de 42 horas (quem me conhece sabe que essa foi a pior tortura possível).

Pelo lado bom, no mínimo já tenho meu nome de guerra para o Gigantes Del Ringe de Honduras "El Rechazo".

ps.: Devo tudo isso a meu amigo Murphy de quem já falei aqui e aqui (que também trata de viagens azarentas)