setembro 11, 2013

The Illusion of Control

chance
chance is the ruler of all
we all love to think we are in control
we all love to think our decisions actually matter
newsflash! they dont matter
how many good, smart, capable people have made good choices but are not in a good situation?
how many lame, stupid, useless people have made lousy choices and are in a good situation?
the illusion of control....
we all live in "a brave new world", only with broader/ overlapping casts 
alphas ranging from alpha to gamma, but a cast nonetheless
ah! the great examples: Jobs, Gates.... 
outliers!!! statistically expected cases
no great decision would have made Jobs the Jobs we all know had he not been given to adoption
no great Gates would exist if he had been born a few years before or after
control? an illusion
chance! a fact.... a sequential never ending combination of facts
simply chaos and the butterfly effect in action
and we still pat ourselves on the back
and think so highly of our decisions
silly us
silly self centered us

agosto 17, 2013

Atendimento Pós Encontro

trim trim
trim trim

'Que porra é essa? Domingo nove da manhã, será que as testemunhas de Jeová agora tem serviço de call-center?'

"Alô!"
"Alô Sra Silvana? Bom dia, aqui quem fala é o Máiquel. Eu gostaria de estar fazendo uma pesquisa de satisfação sobre o encontro da senhora ontem à noite. Pode estar sendo agora? São apenas cinco minutinhos."
"Co-Como assim?"
"A senhora não saiu com o Sr Pedro ontem à noite?"
"Sim, saí. E daí?"
"Então, o Sr Pedro trabalha com Marketing e ele preza muito pelo pós-atendimento, satisfação do cliente e esses lequetreques todos. Coisa que ele aprendeu com o Sr Seti. Por isso ele implementou esse processo de avaliação."
"Seti? Você quer dizer 'Seth godin', o guru do marketing?"
"Nãããoooo! É o Sr Setembrino Magela, professor do Sr Pedro lá na Unioito. Vamos começar então com algumas perguntas sobre demographics:
- A senhora é branca, negra, asiática ou prefere não responder?"
"Como assim? Ele não se lembra de mim?"
"Desculpe Sra Silvana! Erro meu, utilizei indevidamente perguntas do script de outra pesquisa." - 'nota mental: avisar ao Sr Pedro que ele precisa revisar essa parte do script do pós-encontro porque isso ainda vai dar merda com as moças.' - "Vamos continuar com a pesquisa correta:
- Em uma escala de 1 a 10 dê uma nota ao item 'importância dada ao encontro', sendo '1' se ele apenas deu uma passadinha na sua casa e vocês transaram e '10' se ele pagou o jantar, teve um bom vinho, uma boa conversa e ele a levou para a casa dele"
"O senhor só pode estar de brincadeira! Me recuso a responder!"
"Tudo bem Sra Silvana. Vou colocar uma nota cinco aqui para não distorcer a média. Segunda pergunta:
- Em uma escala de 1 a 10 dê uma nota ao item 'A trepada em si', sendo '1' se foi uma rapidinha, ele virou de lado e roncou, '8' se a senhora teve orgasmos múltiplos e '10' somente deve ser atribuído caso além dos orgasmos múltiplos ele ficou acordado, fez conchinha e conversou."
"Isso é mesmo um absurdo. Só pode ser brincadeira. Não vou falar sobre isso com um estranho ao telefone!"
"Aí a senhora me fode Sra Silvana. Vai parecer que eu não faço meu trabalho direito e vou acabar sendo demitido. Vou colocar uma nota seis nesse item. Terceira e última pergunta:
- Em uma escala de 1 a 10 dê uma nota ao item 'Interesse e possibilidade de um segundo encontro', sendo '1' se ele apenas se despediu da senhora no quarto mesmo e a senhora teve que achar a porta de saída e procurar um táxi, '9' se ele a levou até a sua casa e você mora nos Jardins e escolha '10' somente se ele a levou até a sua casa e a senhora mora em Guarulhos, Taboão, Osasco, Embu ou qualquer um desses lugares longe pra cacete."
"Bem, eu moro no ABC..."
"ABC.... deixe-me ver .... ABC vale um nove e meio!" - 'até que enfim uma pergunta que ela respondeu. Mas se disse que mora no ABC deve mesmo é morar lá em Mauá!' - "Obrigado pelo seu tempo Sra Silvana. Sua opinião nos ajudará a prover um serviço melhor no futuro. Tenha um ótimo dia!"

'Eu não acredito que isso aconteceu. Deve ser brincadeira de muito mau gosto. Vou ligar a-go-ra para aquele filho da puta do Pedro'

"Alô!"
"Que porra é essa? É você de novo? Mas eu liguei para o celular do Pedro!"
"Sra Silvana? Bom dia novamente. A senhora ligou para o número certo, é que além de fazer a pesquisa para o Sr Pedro eu também trabalho como secretário dele - e convenhamos, ele não é tão pegador assim e se eu fosse depender do emprego de pesquisa de satisfação eu morreria de fome. A propósito, também sou o personal dele."
"Personal? E aquela barriga de chopp que ele tem?"
"Porra Sra Silvana, eu faço o que posso. Ou a senhora acha que se eu fosse um bom personal eu teria que fazer esses bicos pro Sr Pedro?"
"Bem. É verdade!"
"A propósito Sra Silvana, estou livre hoje à noite, não quer sair comigo? Mas já vou avisando, comigo é encontro 171: na sua casa, uma bela trepada e eu mesmo acho a porta de saída para pegar minha bike!"



junho 11, 2013

Um Ciclo Que Se Fecha

Ele ficou lá. Sentado, com os olhos marejados e um olhar cansado. Como pedira a todos os outros presentes, restava agora apenas ele naquele campo verdejante. Essa era a última coisa que ele poderia fazer por ela. Esperar e ver o último grão de terra ser despejado em sua sepultura. Não havia nenhuma ilusão em sua mente, ele sabia não haver uma vida após a morte e que ela já não mais existia. Mas ele fazia aquilo para ele mesmo. Para sua própria paz ficou ele ali sentado por horas a fio. A única coisa que passava por sua mente eram as lembranças daqueles últimos dois meses.

Estavam eles no meio do oceano Pacífico, em seu veleiro, como por muitas vezes já o haviam feito. A tempestade se aproximava, mas a eles não preocupava, pois não seria sua primeira tempestade. Fizeram todos os arranjos necessários; prenderam todos os itens soltos; baixaram e amarraram todas as velas e fecharam todas as escotilhas. A tempestade chegou como chegam todas as tempestades. Vento, chuva, raios, trovões. Mas em um piscar de olhos o que era uma tempestade havia se transformado em um furacão e tudo em seu mundo começou a ser destruído. Sua única lembrança clara se refere a seu reconhecimento, e aceitação, de que aqueles seriam seus momentos finais caso não tomasse alguma ação imediata.  Ele tomou a decisão de que precisavam sair do veleiro se quisessem sobreviver. E assim o fizeram. Vestiram seus trajes de sobrevivência, carregaram o bote salva-vidas com os kits de primeiros socorros e de sobrevivência e conseguiram sair do barco antes que esse se partisse e se encaminhasse ao fundo do oceano. Ele nunca entendeu como conseguiram sobreviver a um furacão com ventos e ondas fortes o suficiente para rachar o casco do seu veleiro. Mas eles sobreviveram.

Eles não conseguiam se lembrar como foi que caíram e se afastaram de seu bote salva-vidas. Tampouco conseguiam precisar quantas horas havia ficado a deriva na água turbulenta. A eles parecia que havia se passado, ao menos, um dia inteiro. Acabaram por chegar a uma praia em uma pequena ilha que se erguia solitária no meio do vasto oceano. Para qualquer lado que se olhava nada podia ser visto no horizonte. Sabiam que estavam vivos graças a seus trajes de sobrevivência, que os havia protegido da hipotermia e do afogamento. Ele havia machucado seu ombro esquerdo, que doía demasiadamente, e ela tinha um joelho torcido.

Após três dias vasculhando a ilha, acabaram por perceber que tinham tido sorte, pois a ilha não era dos piores locais para se estar perdido. Havia água limpa e muitas frutas conhecidas. Também puderam encontrar uma caverna que fornecia um abrigo adequado da chuva e do vento. Porém, o que lhes causava preocupação era o tempo que demoraria para serem resgatados – se o fossem – pois não haviam tido tempo para enviar nenhum sinal de emergência antes de abandonarem o veleiro. O que os tranquilizava é saber que seu filho iniciaria uma busca no dia seguinte após não receber a comunicação diária que mantinha com eles. Essa certeza permitiu que, mesmo em uma situação difícil como aquela, pudessem se manter tranquilos e até desfrutarem um pouco do tempo que tinham sozinhos. Mas para não correrem riscos desnecessários, garantiram que haveria sinais fartos de sua presença naquela ilha preparando fogueiras e grandes sinais de S.O.S. nas areias da ilha.

Mas o destino não lhes foi o mais gentil. Em uma tarde, ao voltar do riacho de onde coletavam água fresca – e que não ficava a mais de cinco minutos de distância – a encontrou caída na areia. Ele correu o mais rapidamente que pôde em direção a ela e pôde perceber que ela estava sofrendo uma reação alérgica grave. Ela ainda conseguiu olhá-lo nos olhos, sorrir e apertar sua mão antes de desmaiar e, alguns minutos depois, deixar a vida se esvair de seu corpo. Ele não podia acreditar naquilo que se passou. Ela não tinha nenhuma alergia conhecida. E ele não conseguia deixar de pensar no fato de que se estivessem em seu barco, ou em sua casa, ela ainda estaria viva. Por treze horas ele ficou sentado com ela em seus braços. Por treze horas ele chorou. Por treze horas ele praguejou e amaldiçoou o mundo. Por treze horas ele sentiu toda a sua impotência. Por treze horas ele não conseguiu pensar em nada que não fosse o buraco em seu coração. Após treze horas ele se levantou e começou a cavar uma sepultura para sua companheira.

E o destino novamente o traiu. Ao se levantar ele pôde ver um bote se aproximar da costa e os três homens a bordo se aproximarem dele. Em algum momento os homens lhe explicaram que haviam lido sobre o desaparecimento de um casal em alto mar e ao avistarem as bandeiras laranjas que tremulavam naquela praia – os trajes de sobrevivência haviam sido convertidos em bandeiras laranja que foram distribuídas por toda a praia – decidiram verificar. Mas nada disso importava. Sua primeira reação ao ver aqueles homens não foi a reação de uma pessoa normal. Ele não acenou, ele não sorriu, ele não correu em direção a seus salvadores. A única coisa que ele pôde fazer foi retornar em direção ao corpo de sua amada, toma-lo em seus braços e caminhar lentamente em direção à linha d’água. Ele nunca conseguiu explicar o que sentiu naquele momento. Mas era um sentimento mais doloroso que aquele que ele havia sentido treze horas antes. Como poderia ser possível ela morrer apenas horas antes de serem resgatados? Após 58 dias em uma ilha isolada. Tudo aquilo tinha que ser apenas um pesadelo. Mas ele, infelizmente, sabia que tudo aquilo era realidade. Uma realidade dolorosa e triste.

Ele decidiu que já era hora de deixar o cemitério e voltar para sua casa. Não havia nenhuma razão para que ele ali ficasse. Ela ali não estava. Ela não estava em lugar nenhum. Ela não mais existia.

Ao chegar a sua casa ele já havia tomado a decisão. Ele não tinha dúvidas de que possuía razões mais do que suficientes para cometer o suicídio. Afinal, ele perdera dois amores em sua vida. Há vinte anos sua esposa morrera durante o parto e ele, por muitos anos, criou seu filho sozinho até encontrar aquela que seria seu novo amor. E agora esse novo amor também partira. Mas seu filho ainda precisava de sua presença. Seu filho ainda era seu filho, a única pessoa viva que ele amava. Então sua decisão foi de que iria esperar até o dia em que seu ciclo de ‘pai e filho’ se encerrasse. Ele esperaria, não importando quanta dor tivesse que suportar, até seu filho se tornar um pai.

Seis anos, dois meses e três dias se passaram e lá estava ele, segurando seu neto em seus braços. O menino olhava para seu rosto e sorria. Sorria um sorriso que era o mais belo sorriso que ele já havia visto. Não era apenas beleza estética que ele via naquele sorriso, ele via também a beleza da liberdade, pois ele não precisaria esperar nem mais um dia para acabar com uma vida de sofrimentos.

Ao chegar em sua casa, separou dezenas de seus antidepressivos e ansiolíticos, colocou-os ao lado de sua cama e começou a redigir a carta de suicídio para seu filho ....

“Meu filho, meu único amor, me desculpe.

Sei que não é uma atitude corajosa acabar com a própria vida, mas entenda que eu já sofri o bastante e por mais tempo do que eu gostaria. Perder os amores de minha vida, sendo impotente para ajudá-las enquanto elas morriam em meus braços é muito doloroso para eu suportar.
Por duas vezes eu lutei para me recuperar e já estou muito cansado de toda a depressão, dos pesadelos, das doses mais e mais altas de medicamentos e da dor em meu coração. Estou cansado. Apenas isso. Cansado.

Você sempre foi a única razão para eu continuar vivendo. E agora sinto que eu posso partir. Você agora tem seu próprio filho. Você é um pai e não precisa mais de mim. O ciclo se encerrou e agora posso descansar. Novamente, me desculpe.

Saiba que você é a pessoa que mais amei durante toda a minha vida. Você foi a razão para eu me manter vivo. Por você eu passaria por tudo isso novamente.

Nada nesse mundo me deu mais felicidade e prazer do que ser seu pai, e por isso parto com o sentimento de que minha vida valeu a pena mesmo com toda a dor que vivi.

A única coisa que tenho certeza após todos esses anos é que eu realmente te amo. Eu sempre te amei.
Adeus filho!”

Seu filho terminou de ler a carta sem perceber o rio de lágrimas que escorria por seu rosto. Tudo que ele pôde fazer foi voltar seu olhar para cima e perguntar, “Mas pai, eu não entendo. Você está aqui e me trouxe essa carta. Por que?”


“Eu te explico meu filho. Após escrevê-la e lê-la por incontáveis vezes, apenas uma certeza eu tive. A certeza de que se tudo o que eu havia escrito fosse verdade, eu realmente te amo. E se essa é a única certeza que tenho, então não há alternativa a não ser jogar todas aquelas pílulas no lixo e me certificar que estarei aqui para amá-lo a cada segundo da minha vida, até que chegue o dia em que ela acabe naturalmente.”