janeiro 06, 2012

Vinda de longe!

Ela apareceu à porta.
Dele se aproximaria.
De onde vinha? Não se sabia.
Pele muito alva, olhos muitos negros. De onde vinha?
De algum lugar ela vinha.
Não de sua terra. Certeza tinha.
Ele perguntou. Dela nenhuma resposta tinha.
Mas ela vinha.

A ele era ela misteriosa.
Falava seu idioma. Se entendiam.
Muito bem o faziam.
Assim o pensava(m).
Falava seu idioma, não sua língua.
Ou falava ela sua língua?
Seria ele a falar outra?
Nunca se soube. A ela não perguntou.
Aceitou que seria outra.

Diferente em cor.
Diferente em odor. Que odor!
Doce. Inebriante. Diferente.
Mas a ele isso não era o relevante.
Internamente, onde era, de fato, diferente.
Seria ele o diferente?
Mútua é sempre a diferença.

Voltava ele a sua vila.
Voltava a seus amigos.
"Ela? Quem ela?" era o que lhe perguntavam seus amigos.
Não a viam?
Ou a viam, apenas não entendiam?
Seria ele de mente exagerante?
Ou sonhava incessante?
Não sabia.

Não sabia, pois sempre ela aparecia,
ou a ele parecia.
E sumia. Se vinha, se ia.
Em ciclos?
O do Sol seria?
O da Lua?
Não sabia.
Perguntava a seus amigos.
'Quem vinha?' Lhe devolviam.
'Sonha acordado o pobre'.

Partiu. Sumiu.
Se o ciclo do Sol fosse
De um Sol distante assumiu.

Em torno de seu Sol viajaria.
Ciclos e ciclos ele contaria
Se a contar estivesse.
Era um belo dia, ou uma noite seria?
Não importa, Um livro lia
Uma voz ouvia
Um pedido?
Uma mensagem?
Não sabia.
Mesmo sem saber respondia.
Então, tardia
Era ela que lhe sorria.
De longe sorria.
Seria ela? Longe demais parecia.
Ou apenas estrelas do céu que lhe cobria
A ele que dormia.

Nunca soube.
De onde ela vinha.
Ela?!
Ou era ele que de longe vinha?!


* um breve (mini mini)novellete, inspirado, em termos de enredo, nas pequenas estorias de Isaac Asimov (ele que me perdoe) e em um ritmo de algumas obras de, outro maestro, Fernando Pessoa (outro perdão requerido), uma pitada de Dostoyevsk (Irmãos Karamazov) e com inspiração estética de Wall-E (e sua E.V.E.).

** A idéia e linha principal, escondida nas voltas do pequeno texto, é que sim ela existia, mas o visitava de um outro planeta. Um planeta que poderia ser o dele. Uma parábola, ou analogia, para nossa busca pelo igual, pelo comum, pelo "aceitável". Busca essa que pode estar maquiada no vontade de "pertencer", o que nos faz buscar o "igual" que é artificial. O que, de fato, queremos? Nesse mundo capitalista é ter dinheiro. Mas é isso que, realmente, queremos ou apenas buscamos o que de nós se espera querer, e tudo isso nos leva a achar estranho querer, ou gostar, de algo diferente da norma? E, com isso, acharmos que somos nós os loucos, deslocados que "a" vemos quando ninguém mais "a" vê. E que nos convencemos que "ela" não existe? "Ele" é você que lê o texto. "Ela" é aquilo que queres, mas que foge da norma!!! Para pensar ........

janeiro 04, 2012

"The Simplest Possible Code of Conduct for Employees" a featured article on SCCE's - Compliance and Ethics Professional Publication

Um artigo que discute que é sim possível escrever um código de conduta que seja ao mesmo tempo simples o suficiente para ser entendido, curto o suficiente para ser lembrado e que seja válido em todas as possíveis situações em que um colaborador/ funcionário de uma empresa se encontre.

O artigo traz uma resposta de três bullets para o desafio acima. Resposta essa baseada nas três leis da robótica do mestre da ficção científica ('Eu, Robô', 'O Homem Bicentenário') e um fellow-Mensan Isaac Asimov.

Também discuto que

- Complicar demais o assunto compliance e ética é desnecessário
- Que códigos de compliance e ética podem, e devem, ser simples
- Que quanto mais simples um código é, melhor ele atinge os objetivos
- É sim possível escrever um código que seja válido SEMPRE
- E que as leis descritas no artigo são uma solução perfeita


Espero que apreciem a leitura seguindo o link para o Google Docs

Abraços a todos

Serpa

English Article Highlights::

Overselling or overcomplicating compliance and ethics is not needed
Compliance related codes can, and must, be simple to understand
The simpler a conduct-related code is, the better it works
It’s possible to write codes valid for all possible situations
The laws devised here are a flawless solution

janeiro 01, 2012

As Três Leis da Robótica, as Empresas e o Amor



O grande mestre da ficção científica, e praticamente o criador da ficção científica moderna, Isaac Asimov, um nobre colega de Mensa, cunhou as três leis da robótica, as quais reproduzo a seguir**:
  • 1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
E daí? Você me pergunta. Respondo então: Daí que temos um dos melhores exemplos de que com simplicidade pode-se chegar ao controle absoluto de assuntos de extrema complexidade. A simplicidade que falta no mundo de hoje, a beleza do simples que vem sendo buscado por todos os ramos do conhecimento humano. Um bom exemplo dessa busca é o uso de "enxames" de robôs simples, com cérebros simples que simulam o comportamento de insetos sociais, que conseguem, por meio da colaboração, atingir resultados complexos.

E, nesse espírito, podemos ver que uma das aplicações potenciais da simplicidade das três leis e a substituição de volumes gigantescos de políticas, normas e procedimentos por "três leis do funcionário", que seriam as seguintes:
  • 1ª lei: Um Funcionário não pode ferir a Empresa ou, por omissão, permitir que a Empresa sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um Funcionário deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas pela Empresa (seus representantes), exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um Funcionário deve proteger sua própria existência (emprego) desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
Reflita na simplicidade do exposto acima e busque uma situação em que as três leis do funcionário não serviriam para substituir uma política corporativa.

E não paremos por aí, apliquemos as mesmas leis ao assunto mais complexo que existe para os seres humanos .... o Amor.

Veja como ficaria:
  • 1ª lei: Um apaixonado não pode ferir a pessoa amada ou, por omissão, permitir que a pessoa amada sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um apaixonado deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas pela pessoa amada (ou satisfazer-lhe os desejos), exceto nos casos em que tais ordens (ou desejos) contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um apaixonado deve proteger seus próprios sentimentos desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
Claro que há um descompasso aqui na terceira lei, que coloca os sentimentos do outro num nível superior aos seus, mas quem sou eu para querer simplificar o amor ........


* Se você assisitu a "Eu, Robô" então você conhece o trabalho de Isaac Asimov.
** No original em inglês: 
  • 1st law: A robot may not injure a human being or, through inaction, allow a human being to come to harm.
  • 2nd law: A robot must obey any orders given to it by human beings, except where such orders would conflict with the First Law.
  • 3rd law: A robot must protect its own existence as long as such protection does not conflict with the First or Second Law.